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Saúde

Vereador pede proibição de voos comerciais e táxi aéreo em Tabatinga

Hilal Hajar Hayssam (PSB) quer que o aeroporto da cidade seja utilizado somente para ações de saúde e relacionadas ao combate à Covid-19

Publicado em 09/04/2020 às 21h31 · Atualizado em 10/03/2022 às 10h57
Vereador pede proibição de voos comerciais e táxi aéreo em Tabatinga
Foto: Marcello Bhacana/EBC

O vereador Hilal Hajar Hayssam (PSB), de Tabatinga (distante a 1,1 mil quilômetros da capital), ingressou com uma ação popular na justiça federal pedindo a proibição de voos comerciais e de táxi aéreo saindo de Manaus para o município até o término da pandemia de coronavírus (Covid-19) no Brasil. O parlamentar pede que o aeroporto da cidade seja utilizado somente para ações de saúde e relacionadas ao combate da doença.

No documento, Hilal afirma que Tabatinga recebe por dia cerca de 122 passageiros transportados pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras, única empresa que realiza o trecho Manaus-Tabatinga e Tabatinga-Manaus com voos diários.Ele cita que no último dia 8 foi confirmado o primeiro e único caso de Covid-19 no município, até o momento, que, além de fazer fronteira com a Colômbia e o Peru, reúne tribos e comunidades indígenas.

“Isso é preocupante, pois, as pessoas embarcam do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na capital, e não respeitam as orientações que devem ser tomadas, qual seja o período de quarentena estabelecido pela OMS (Organização Mundial de Saúde), e por essas medidas serem desrespeitadas, a população, enfrenta dois riscos: o primeiro de ser infectada e o segundo de não ter como ser atendida, pois a saúde pública do município é precária”, diz trecho da ação.

O vereador afirma, no documento, que as regras de quarentena são desrespeitadas também pelas pessoas que desembarcam em empresas de táxi aéreo e que o sistema de saúde pública do município, com 65,8 mil habitantes, corre o risco de entrar em colapso se não for adotado as medidas necessárias para conter o avanço do coronavírus.

Em entrevista ao A Crítica, o parlamentar frisou que Tabatinga é um município polo da região do Alto Solimões, formada por 9 municípios, e não dispõe de um hospital civil. A população é atendida no Hospital de Guarnição de Tabatinga, que possui 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de contingenciamento com respiradores.

“A gente é atendido pelo hospital militar e tem a UPA maternidade que, muitas vezes, faz o papel de um hospital civil. Tabatinga não tem uma estrutura para atender o básico, imagina essa realidade que o mundo está vivendo. Tabatinga vai suportar de oito a 12 casos”, declarou.

A ação solicita ainda que o Aeroporto Internacional de Tabatinga, durante a crise na saúde causada pela pandemia da Covid-19, não receba voos comerciais e que seja utilizado apenas para o deslocamento de pessoas com risco de vida, profissionais da saúde, para o transporte de vacinas, equipamentos para os hospitais, órgãos para transplante e recebimentos de medicamentos para o município.

Hilal sugere que, caso a União não cancele os voos, seja intensificado a triagem para identificar casos suspeitos no aeroporto de Manaus e de Tabatinga.

O advogado do vereador, Yuri Evanovick explicou que a ação foi protocolada na 5ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, na quarta-feira (8), por ser em desfavor da União, responsável pela navegação aérea no país.

“Já existe um pedido da Advocacia Geral da União requerendo que o Ministério Público Federal se manifeste em 72 horas pelo pedido formulado na ação popular”, acrescentou.

Saiba Mais

Tabatinga e Urucará são municípios do Amazonas em alerta ao coronavírus. A Associação Amazonense de Municípios (AAM) divulgou levantamento, nesta quinta-feira (9), e revelando que das 61 prefeituras do interior do Estado, 56 já publicaram decretos de alerta, emergência ou calamidade nas últimas duas semanas diante da pandemia.