A Confederação Brasileira de Futebol anunciou que vai pagar salário fixo de R$ 22 mil para árbitros do quadro internacional, dentro de um novo modelo de profissionalização da arbitragem. A medida promete mais estabilidade e valorização da categoria, no entanto traz exigências que vão além do desempenho dentro de campo.
O valor mensal será destinado aos árbitros centrais com certificação da Fifa, justamente os que atuam nos principais jogos do calendário nacional. Além do salário fixo, eles ainda poderão receber adicionais por partida, aumentando de forma significativa a renda ao longo da temporada.
O contrato integra o Programa de Profissionalização da Arbitragem, válido até dezembro de 2026, e contempla inicialmente 72 profissionais entre árbitros, assistentes e responsáveis pelo VAR. A proposta é estruturar a função como atividade contínua, até mesmo com suporte físico, psicológico e nutricional oferecido pela entidade.
No entanto, para receber o salário fixo, o árbitro precisa cumprir uma condição obrigatória ligada às apostas esportivas. O profissional deve apresentar um certificado que comprove a exclusão do seu CPF de sites de aposta, garantindo que não possui cadastro ativo nessas plataformas.
Esse certificado contra sites de aposta se tornou justamente um dos pontos mais comentados do novo acordo. A exigência faz parte de cláusulas anticorrupção e antifraude e pode alcançar até mesmo parentes de primeiro grau e sócios, ampliando o controle para evitar qualquer suspeita.

Consequências no descumprimento das regras
O documento também prevê regras rígidas de conduta e cláusulas de confidencialidade que podem valer por até dez anos após o encerramento do vínculo. Em caso de descumprimento das normas ou desempenho técnico considerado insatisfatório de forma recorrente, o árbitro pode ser desligado imediatamente do programa.
A iniciativa teve adesão total dos profissionais convidados e representa uma mudança importante na arbitragem brasileira. No entanto, justamente por impor controle fora das quatro linhas, o novo modelo já gera debate sobre os limites das exigências impostas pela CBF.






