Cinco meses após um tornado devastador atingir Rio Bonito do Iguaçu, o município recebeu mais de R$ 35 milhões para reconstrução. Os recursos vieram de diferentes esferas e também de doações privadas. Apesar do volume, apenas parte desse valor já teve destinação formal.
Recursos disponíveis e execução limitada
De acordo com dados monitorados pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná, cerca de 34% do montante foi empenhado. Isso significa que pouco mais de R$ 12 milhões tiveram uso planejado. A maior parcela desses recursos foi direcionada à compra de ônibus escolares.
Os repasses incluem verbas do governo federal, estadual e contribuições da sociedade. Parte significativa também veio de fundos emergenciais e campanhas solidárias. Esses valores são destinados à reconstrução de estruturas públicas e apoio à população.
Mesmo com os recursos disponíveis, obras importantes ainda aguardam execução. Projetos como reconstrução de prédios públicos e limpeza de áreas afetadas avançam lentamente. A prefeitura afirma que parte dos investimentos já ocorre por meio de materiais distribuídos.
Cobrança por transparência
O Ministério Público do Paraná questiona a falta de informações detalhadas sobre os gastos. Segundo o órgão, o Portal da Transparência não permite acompanhamento adequado. A situação levou à abertura de uma ação civil pública.
A Justiça determinou prazo de quatro meses para regularização das informações. Caso a medida não seja cumprida, o município poderá ser multado semanalmente. A decisão também exige prioridade na divulgação de despesas relacionadas ao desastre.
Auditores relatam dificuldades para identificar valores aplicados especificamente na reconstrução. A ausência de dados consolidados dificulta o controle externo. Técnicos chegaram a oferecer suporte, mas não houve continuidade na parceria.

Reconstrução após desastre extremo
O tornado ocorreu em novembro de 2025 e causou danos severos à cidade. Classificado como F4, o fenômeno atingiu ventos próximos de 400 km/h. Cerca de 90% das construções foram afetadas, além de vítimas e centenas de feridos.
O município segue em estado de calamidade, o que permite medidas emergenciais. Esse regime facilita contratações e flexibiliza processos administrativos. Ainda assim, especialistas reforçam que a transparência deve ser mantida.






