Um novo medicamento experimental está renovando as esperanças de pacientes diagnosticados com câncer pancreático metastático, uma das formas mais agressivas e letais da doença. Chamado daraxonrasib, o remédio oral apresentou resultados considerados históricos ao dobrar o tempo médio de sobrevida dos pacientes em comparação com a quimioterapia tradicional, segundo dados da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.
Os resultados foram obtidos em um ensaio clínico internacional de fase III que envolveu 500 pacientes previamente tratados em 60 centros médicos distribuídos por seis países. O estudo mostrou que os participantes que receberam o daraxonrasib tiveram sobrevida mediana de 13,2 meses, enquanto aqueles submetidos à quimioterapia padrão viveram, em média, 6,7 meses após o início do tratamento. Além disso, o novo medicamento reduziu em 60% o risco de morte.

Outro dado que chamou a atenção foi a sobrevida livre de progressão da doença. Os pacientes tratados com o comprimido oral alcançaram média de 7,2 meses sem agravamento do tumor, o dobro do registrado no grupo submetido ao tratamento convencional, que ficou em 3,6 meses. A taxa de redução objetiva do tumor também foi significativamente maior: 33% dos pacientes apresentaram resposta positiva ao novo medicamento, contra 11% daqueles que receberam a terapia padrão.
Novo medicamento contra o câncer mostra bons resultados
O câncer pancreático metastático possui uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 3% e está entre os tipos mais difíceis de tratar. Aproximadamente metade dos pacientes morre nos três primeiros meses após o diagnóstico, cenário que torna qualquer avanço terapêutico motivo de grande expectativa na comunidade científica. Uma característica importante do estudo é que cerca de 92% dos participantes possuíam a mutação RAS G12, uma das alterações genéticas mais comuns.
“O sucesso recente e impressionante do medicamento daraxonrasib contra o câncer de pâncreas pode prenunciar uma série de vitórias muito mais amplas”, afirmou o cardiologista Eric Topol, uma das vozes mais influentes da medicina nos Estados Unidos. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que o medicamento ainda é experimental e que novos estudos serão fundamentais para confirmar seu potencial futuro.





