O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes voltou ao centro das atenções com novos movimentos envolvendo grandes obras públicas. No entanto, a iniciativa reforça um planejamento que já vinha sendo desenhado há algum tempo, justamente com foco em melhorar a logística na região Norte.
Foi nesta segunda-feira (13) que o órgão lançou quatro licitações simultâneas voltadas à BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. Ao todo, os trechos contemplados somam mais de 339 quilômetros, com investimento previsto de R$ 1.369.160.903,26.
Os contratos foram divididos em quatro segmentos distintos, com valores que variam entre R$ 210 milhões e R$ 430 milhões. O maior aporte está no trecho entre os quilômetros 469,6 e 590,1, enquanto o menor valor cobre o intervalo entre os quilômetros 433,1 e 469,6.
Já os demais trechos, entre os quilômetros 250,7 e 433,1, concentram cifras superiores a R$ 360 milhões cada. Até mesmo a estrutura dos editais foi pensada para garantir maior controle, sendo adotado o modelo de empreitada por preço unitário.
Esse formato prevê pagamento conforme a execução real dos serviços, como volume de aterro ou extensão pavimentada. Além disso, as empresas precisam estar regularizadas no SICAF e aderir a regras de integridade, incluindo políticas antifraude e anticorrupção.
Outro ponto importante envolve exigências ambientais, com necessidade de autorização de órgãos ligados ao Sistema Nacional do Meio Ambiente. Isso ocorre porque as intervenções podem incluir supressão de vegetação, drenagem e ajustes estruturais ao longo da rodovia.

Estudo aponta riscos econômicos e ambientais
Apesar do avanço das obras, um estudo da Conservation Strategy Fund, publicado em 2009, levanta dúvidas sobre a viabilidade da rodovia. A análise indica prejuízo de R$ 316 milhões e retorno de apenas 33 centavos por real investido.
No cenário ambiental, o impacto também chama atenção, com projeção de 4,6 milhões de hectares de desmatamento até 2033. Justamente por isso, o custo total, somando fatores econômicos e ambientais, pode chegar a R$ 2,2 bilhões, superando os benefícios estimados.






