Aqui no Brasil, o debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força ao longo do ano passado e desde então está em pauta. Mas o tema que representa um avanço nas medidas trabalhistas no território brasileiro mais parece ultrapassado se comparado com a realidade de outros países mundo afora.
Na Holanda, por exemplo, faz anos que a jornada de trabalho de quatro dias por semana é praticada por muitas empresas. E não são apenas pequenos empreendimentos que adotam essa medida. Grandes companhias também aderiram a ideia que coloca o país na vanguarda da redução da jornada de trabalho.
Diferenças entre Brasil e Holanda

Em média, os holandeses cumprem 32,1 horas por semana. É a menor carga horária da União Europeia, que tem média de 36 horas. Ao mesmo tempo, o PIB do país está entre os mais altos do continente e figura próximo do topo entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
São números que contrapõem a ideia de que países ricos precisam de longas jornadas de trabalho para se manterem competitivos. Diante disso, o maior sindicato holandes, o Netherlands Trade Union Confederation, pressiona o governo a fazer com que a escala de quatro dias se torne uma recomendação oficial.
Desafio da redução da jornada de trabalho
Embora alguns dados sejam positivos, outros não são tão bons. Segundo Daniela Glocker, economista responsável pela Holanda na OCDE, a produtividade no país não cresceu nos últimos anos com a redução da jornada, o que impõe um desafio para as autoridades.
Isso significa que os trabalhadores precisarão aumentar a produção de bens e serviços por dia de trabalho ou que o país precisará ampliar a mão de obra, possivelmente recorrendo a imigração para preencher o espaço vazio.
A Holanda possui a maior proporção de trabalhadores em tempo parcial entre os países da OCDE. Quase metade das pessoas empregadas trabalha menos que a jornada integral.






