Enquanto muitos países gastam energia e recursos no combate a cartéis de drogas, o Canadá enfrentou um problema bem diferente nos últimos anos. Chamou atenção o fato de o país precisar agir contra um poderoso cartel do pão que afetou diretamente o bolso da população.
O caso ficou conhecido como o grande escândalo de fixação de preços do pão no Canadá e durou cerca de 14 anos. Justamente entre 2001 e 2015, empresas combinaram aumentos artificiais nos valores de produtos básicos.
O esquema envolvia pães industrializados muito consumidos no dia a dia, como pão de sanduíche, pãezinhos e até bagels. Até mesmo tortillas entraram na lista de itens que tiveram preços inflados de forma coordenada.
Segundo as investigações, o consumidor canadense pagou pelo menos 1 dólar e 50 centavos a mais por cada unidade de pão. Esse aumento, que a princípio não parece ser grande coisa, gerou bilhões em lucros extras.
Entre os principais envolvidos estavam grandes produtores e varejistas do país. Justamente empresas como Canada Bread Company, Weston Foods e a rede Loblaw admitiram participação no esquema.
As companhias coordenaram reajustes principalmente em dois momentos, nos anos de 2007 e 2011. Até mesmo concorrentes diretos passaram a agir de forma alinhada para evitar disputas de preço.
Em junho de 2023, a Canada Bread Company se declarou culpada e recebeu uma multa histórica no valor de 50 milhões de dólares canadenses, que entrou para o recorde do país nesse tipo de crime.
Consumidores prejudicados foram reembolsados
Além da multa histórica recebida, o caso resultou em um acordo coletivo bilionário para indenizar os consumidores, com 500 milhões de dólares canadenses sendo destinados a pessoas que compraram pão entre 2001 e 2021. Cada residente pôde solicitar uma compensação de 25 dólares canadenses sem nem mesmo apresentar recibos.






