O ataque dos Estados Unidos ao Irã provocou repercussões mundiais. No Brics, por exemplo, a movimentação de Donald Trump em conjunto com Israel gerou posicionamentos divergentes entre os integrantes: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia.
O Brasil se manifestou mais de uma vez a respeito do conflito, condenando as ações dos principais atores. No mais recente comunicado, o Governo Federal criticou as retaliações iranianas: “O Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia — objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro”.

Rússia e China, por sua vez, que possuem uma relação mais próxima com o regime iraniano, também condenaram os ataques. Os russos, vale lembrar, têm vínculos militares com o país do Oriente Médio, que é um dos fornecedores dos drones utilizados por Moscou na guerra da Ucrânia.
Já a Índia não condenou as retaliações. Desde que Narendra Modi assumiu o poder, o país, que já tinha Israel como um grande parceiro no suprimento de armas e munição, estreitou ainda mais as relações econômicas com o aliado. Modi, em 2017, se tornou o primeiro premiê indiano a visitar o território israelense.
Brasil tem falado com aliados
Diante do cenário atual, o governo brasileiro tem atuado de forma diplomática para entender o panorama. De acordo com a BBC News, o Brasil fez consultas recentes aos países do bloco, mas que ainda não chegou a nada concreto a respeito de uma posição conjunta.
Um interlocutor de Lula disse que não há perspectiva de algum tipo de comunicado coletivo sobre o tema. Os fatores atuais e a liderança indiana do bloco neste ano inviabilizam uma postura semelhante à que foi vista no ano passado.
O grande ponto é que a crise atual no Oriente Médio expõe as contradições existentes no bloco e, consequentemente, coloca em xeque a capacidade coletiva de ação do Brics.






