Ter uma forte economia em um país passa necessariamente por importantes investimentos nas empresas que aqui estão, seja para o crescimento ou até mesmo ajudando a passar por um momento de turbulência. Sobre esse tema, uma gigante da Inglaterra vai investir em uma empresa brasileira.
A Shell pretende aportar R$ 3,5 bilhões na Raízen, produtora brasileira de etanol criada a partir de uma joint venture com a Cosan. Segundo o presidente da empresa da Inglaterra no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, a expectativa é que a Cosan contribua com valor equivalente na operação. A declaração foi feita durante coletiva no Rio de Janeiro.
No fim do mês passado, a Bloomberg News noticiou que as empresas mantinham negociações avançadas para realizar um novo aporte de capital na Raízen, que atravessa dificuldades financeiras.
“As conversas continuam em andamento com o objetivo de construir uma solução estrutural e de longo prazo para a Raízen, respeitando as limitações de cada parte envolvida”, afirmou Pinto da Costa.

Reforço financeiro é muito bem-vindo no atual momento da empresa
Considerada uma das maiores produtoras de etanol do mundo, a Raízen busca reforço de caixa após enfrentar um cenário adverso marcado por juros elevados, safras abaixo do esperado e investimentos que ainda não geraram retorno relevante. A deterioração financeira levou ao rebaixamento de seu rating de crédito e à forte queda no valor de seus títulos no mercado.
A situação ganhou dimensão política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou diretamente das discussões sobre a companhia, refletindo a preocupação do governo com os possíveis impactos de uma reestruturação desordenada sobre o mercado de crédito e a confiança dos investidores, em um momento sensível para a economia brasileira.
Além de Shell e Cosan, as tratativas envolvem o Banco BTG Pactual, que teria proposto investir na divisão de distribuição de combustíveis da Raízen como parte de uma reestruturação mais ampla, conforme noticiado pela Bloomberg em fevereiro.
Credores, entretanto, avaliam que o aporte em discussão pode ser insuficiente diante do elevado nível de endividamento e da piora no perfil de crédito da empresa. Parte dos detentores de títulos e instituições financeiras defende um aumento de capital significativamente maior, na casa de R$ 25 bilhões, argumentando que Shell e Cosan teriam capacidade financeira para ampliar a contribuição após anos de distribuição de dividendos.
Vale lembrar que a Shell é uma multinacional britânica, com sede em Londres, na Reino Unido. A companhia surgiu em 1907 a partir da fusão entre a Royal Dutch Petroleum Company, da Holanda, e a Shell Transport and Trading Company, do Reino Unido. Apesar de sua origem anglo-holandesa, a empresa consolidou integralmente sua sede na capital inglesa em 2021.






