As usinas termossolares consistem em instalações que transformam a luz do sol em calor intenso para gerar eletricidade, sendo cruciais para o funcionamento da sociedade. No entanto, uma unidade localizada no deserto de Mojave (EUA) está com previsão para fechar suas portas ao longo de 2026. Com pouco mais de uma década de operação, deixará de realizar sua função tradicional.
Inaugurado em 2014, o empreendimento em Ivanpah será desativado devido ao acúmulo de oscilações internas e operacionais. A decisão está diretamente ligada a um histórico de problemas técnicos, altos custos operacionais e, principalmente, ao impacto ambiental. Curiosamente, houve muitos relatos de aves que foram incineradas ao ficarem presas nos raios solares concentrados pelos espelhos.

A usina de Mojave opera utilizando energia termossolar por concentração, que consiste em uma tecnologia que, outrora, foi considerada de ponta para a produção de energia limpa. Na prática, são usados milhares de espelhos, chamados heliostatos, que seguem a trajetória do Sol e concentram sua luz em torres centrais.
Nesses pontos, o calor extremo aquece a água para gerar vapor, o que movimenta turbinas conectadas a geradores elétricos. Para começar a operar, a unidade de Ivanpah foi construída com um investimento de 1,6 bilhão de dólares (cerca de R$ 7,8 bilhões, na conversão atual), provenientes tanto de empréstimos do Departamento de Energia dos Estados Unidos quanto de contratos com companhias elétricas.
Do prestígio ao declínio
Ao abrir suas portas, a usina chegou a ser taxada como a maior central de energia solar térmica do mundo, título que perdeu após a inauguração da usina de Port Augusta, na Austrália. Ainda que tivesse sido destronada, conseguiu operar com maestria por alguns anos. No entanto, 11 anos após o início de sua operação, mergulhou em uma fase de declínio e questionamentos quanto à sua viabilidade.
A princípio, a unidade não conseguiu atingir as expectativas iniciais nem a rentabilidade projetada, além de registrar falhas constantes e receber críticas de organizações ambientalistas por seu impacto negativo na fauna local. Nesse ínterim, a manutenção e a gestão da usina também envolvem altos custos, o que reduziu sua competitividade em relação a outras tecnologias renováveis.
Porém, a questão central ganhou forças com críticas oriundas de entidades ambientais. Em resumo, grupos ambientalistas denunciaram um impacto “irreparável” no habitat de espécies como a tartaruga-do-deserto, além da morte de pássaros provocada pela intensa concentração da luz solar. Diante do cenário desastroso, os responsáveis pelas operações decidiram colocar um ponto final nas atividades.






