Um mistério que incomodava a humanidade há cinco décadas foi resolvido graças a uma missão japonesa. Liderada por astrônomos da Universidade de Liège, na Bélgica, uma pesquisa identificou a origem das misteriosas emissões de raios X da estrela γ Cassiopeia (também conhecida pelo apelido “γ Cas”), localizada na constelação de Cassiopeia.
Baseando-se em observações realizadas pelo telescópio espacial japonês XRISM, os cientistas descobriram que a radiação extrema é produzida por uma anã branca magnética que orbita a estrela, e não pela própria γ Cas – algumas hipóteses elaboradas há 50 anos sugeriam essa ideia.
O estudo publicado em forma de artigo científico na revista Astronomy & Astrophysics também comprovou a existência de uma classe de sistemas binários, que era prevista apenas de forma teórica até então. A γ Cas é conhecida desde o século 19 por ser a primeira estrela do tipo Be a ser identificada.

Y Cas se destaca entre as estrelas tipo Be
Os astros desse tipo são muito massivos e giram rapidamente ejetando matéria, formando discos ao seu redor. No caso da y Cas, as observações feitas desde 1976 revelaram um comportamento incomum: ela emitia raios X com intensidade aproximadamente 40 vezes superior à de estrelas similares e apresentava plasma com temperaturas superiores a 100 milhões de graus.
“A ciência propôs vários cenários para explicar essa emissão. Um deles envolvia a reconexão magnética local entre a superfície da estrela Be e seu disco. Outros sugeriam que os raios X estariam ligados a uma companheira, seja uma estrela desprovida de suas camadas externas, uma estrela de nêutrons ou uma anã branca em acreção (aumento da massa de um objeto espacial)”, disse a astrônoma Yaël Nazé, professora da Universidade de Liège, na Bélgica, e coautora do estudo, em declaração à imprensa.






