Engana-se quem pensa que Brasil ou Argentina são os melhores lugares para se trabalhar na América Latina. O país da região que se destaca nesse sentido é o Uruguai, vizinho de ambos, que está no mesmo patamar das principais referências europeias.
De acordo com a edição de 2026 do Índice Global dos Direitos, da Confederação Sindical Internacional (CSI), o paisito é a única nação latino-americana presente na categoria 1, a melhor da classificação, figurando ao lado de Alemanha, Áustria, Dinamarca, Islândia, Irlanda, Noruega e Suécia.
Na avaliação do CSI, o território uruguaio é uma exceção no cenário da região, marcado por muitos problemas no campo trabalhista: “Uma exceção em uma região amplamente caracterizada pela repressão sindical e pela exploração”. Em cerca de nove em cada dez países foi violado o direito de greve e impedido o registro de sindicatos.
O Índice Global dos Direitos é produzido anualmente desde 2014 e avalia 151 países com base em 97 indicadores construídos a partir das convenções e da jurisprudência da Organização Internacional do Trabalho.

Brasil e Argentina ocupam categoria preocupante
Enquanto o Uruguai é uma referência trabalhista na América Latina, Brasil e Argentina ficam bem aquém do vizinho nessa área. O Brasil está na categoria 4, destinada a países com violações sistemáticas dos direitos trabalhistas, junto com Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago.
A Argentina, por sua vez, está em uma situação ainda pior: o país está na categoria 5, reservada aos países em que os direitos dos trabalhadores não são garantidos. “A Argentina entra este ano na lista dos 10 piores países para os trabalhadores após cair para a categoria 5, registrando o segundo ano consecutivo de deterioração de sua classificação”, aponta o relatório.
Os argentinos se encontram no pior nível desde que o relatório passou a ser produzido. De acordo com o CSI, muito desse cenário catastrófico se deve às políticas trabalhistas implementadas pelo governo de Javier Milei.






