A diferença de remuneração entre executivos e trabalhadores voltou a crescer em 2025, segundo levantamento da Oxfam e da Confederação Sindical Internacional. O estudo aponta que os salários de CEOs avançaram em ritmo muito superior ao dos demais funcionários. O resultado reforça o debate sobre desigualdade corporativa.
Crescimento acelerado no topo
De acordo com a análise, executivos-chefes receberam, em média, US$ 8,4 milhões no último ano. Em 2024, esse valor era de US$ 7,6 milhões, indicando alta relevante. O ritmo de crescimento foi cerca de 20 vezes maior que o registrado entre trabalhadores.
O levantamento considerou dados de aproximadamente 1.500 empresas em 33 países. A abrangência permite observar tendências globais no mercado corporativo. Os números revelam um distanciamento cada vez maior entre diferentes níveis hierárquicos.
Essa diferença não se limita ao salário fixo, mas inclui bônus e incentivos. Esses componentes elevam significativamente a remuneração total dos executivos. Enquanto isso, os reajustes para funcionários seguem mais modestos.
Concentração de renda e desigualdade
Para Viviana Santiago, o cenário reflete uma dinâmica de concentração de riqueza. Segundo a especialista, a produção econômica é coletiva, mas os ganhos se concentram no topo. Isso amplia a desigualdade dentro das empresas.
A disparidade salarial também se conecta a fatores estruturais históricos. Modelos econômicos que favorecem acúmulo de capital intensificam essa diferença. O resultado é um ambiente com distribuição desigual de renda.
Além disso, o estudo aponta desigualdade de gênero nos rendimentos. Em média, mulheres recebem cerca de 16% menos que homens nas empresas analisadas. Esse dado amplia o debate sobre equidade no ambiente corporativo.

Pressão por mudanças e regulação
O relatório também destaca a necessidade de revisão nas políticas salariais. Para Amitabh Behar, governos devem adotar medidas para reduzir desigualdades. Entre elas, estão tributação mais justa e limites à remuneração de executivos.
Outra proposta envolve a valorização do salário mínimo. A ideia é garantir que trabalhadores tenham renda suficiente para uma vida digna. Esse ponto é visto como essencial para equilibrar o sistema econômico.






