O Governo do Estado de São Paulo avançou em um dos projetos de infraestrutura mais aguardados do litoral paulista ao assegurar o financiamento de R$ 2,57 bilhões para a construção do túnel que ligará Santos ao Guarujá. Considerada uma obra estratégica para a mobilidade urbana e logística da região, a iniciativa ainda está em fase de planejamento, com início das obras previsto oficialmente para 2027.
A formalização do crédito foi realizada junto ao Banco do Brasil, com participação do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Dario Durigan. Os recursos serão destinados à parcela pública da parceria público-privada (PPP), modelo escolhido para viabilizar o empreendimento.
Apesar do avanço no financiamento, o projeto ainda passa por etapas fundamentais antes do início das obras. Atualmente, o túnel está em fase de elaboração técnica e licenciamento ambiental. O ano de 2026 será dedicado à realização de estudos complementares, preparação de desapropriações e obtenção de autorizações necessárias.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) já concedeu a licença ambiental prévia, o que representa um passo importante para a viabilização da obra. No entanto, ajustes administrativos e exigências de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), ainda precisam ser concluídos.
Possibilidade de antecipação das obras
Embora o cronograma oficial indique o início das obras civis em 2027, há expectativa de antecipação. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a mobilização dos canteiros pode começar ainda em 2026, dependendo do andamento das etapas preparatórias.
Caso o cronograma mais otimista se confirme, o prazo estimado para execução é de cerca de 48 meses, o que permitiria a conclusão da obra até o fim de 2030. Já a previsão mais conservadora aponta para início da operação em 2031.
A construção e gestão do túnel ficarão sob responsabilidade do grupo português Mota-Engil, vencedor do leilão realizado em 2025. A concessão terá duração de 30 anos e inclui não apenas a execução da obra, mas também a operação e manutenção da infraestrutura ao longo desse período.
O modelo de PPP busca dividir os custos e riscos entre o setor público e privado, além de garantir maior eficiência na execução e gestão do projeto.

Estrutura inédita no Brasil promete transformar a mobilidade
O túnel Santos-Guarujá será o primeiro do tipo imerso no Brasil, uma técnica amplamente utilizada em outros países, mas ainda inédita no território nacional. A estrutura terá 1,5 quilômetro de extensão, sendo cerca de 870 metros submersos a uma profundidade de 21 metros no canal do Porto de Santos.
Diferentemente de túneis convencionais, a construção não envolve escavação direta no fundo do mar. Os módulos de concreto são produzidos em uma doca seca, transportados por flutuação e posteriormente posicionados em uma trincheira preparada no leito do canal.
Integração de modais e impacto logístico
O projeto prevê três faixas de tráfego em cada sentido, além de espaço dedicado para ciclovia e para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ampliando as opções de mobilidade urbana. A expectativa é reduzir o tempo de deslocamento entre as duas cidades e diminuir a dependência de balsas, atualmente utilizadas na travessia.
A escolha pelo modelo de túnel imerso foi estratégica. Segundo autoridades, a alternativa evita interferências na operação do Porto de Santos, considerado o maior da América Latina. A construção de uma ponte, por exemplo, poderia limitar a circulação de navios de grande porte.
Com investimento bilionário e tecnologia inédita no país, o túnel entre Santos e Guarujá é visto como um marco para a infraestrutura brasileira. Além de melhorar a mobilidade urbana, o projeto tem potencial para impulsionar o desenvolvimento econômico da Baixada Santista e fortalecer a logística portuária.
Mesmo ainda em fase inicial, a iniciativa já mobiliza diferentes esferas do governo e do setor privado, consolidando-se como uma das obras mais relevantes previstas para os próximos anos no estado de São Paulo.






