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Manaus
DOENÇA

Protocolo pós-diagnóstico assegura proteção contra a meningite, diz especialista

Infectologista explica que ação de prevenção é eficaz para familiares e amigos do paciente. Caso do universitário da Estácio é o segundo confirmado em Manaus este ano 19/04/2018 às 18:40 - Atualizado em 19/04/2018 às 22:08
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Adolescente diagnosticado com meningite em Manaus está internado no Hospital e Pronto Socorro 28 de agosto. Foto: Divulgação
Isabella Pina Manaus (AM)

Com a confirmação nessa quarta-feira (18) do caso de meningite bacteriana em um universitário de 17 anos, em Manaus, a Faculdade Estácio do Amazonas, onde ele estuda, decidiu suspender as aulas para realizar uma higienização nos ambientes da instituição. A prevenção, segundo especialista, para quem teve contato com o paciente, é feita de forma muito incisiva e não oferece alta taxa de risco de contaminação.

O protocolo pós-diagnóstico da meningite bacteriana é simples: assim que confirmado o caso, uma equipe de vigilância buscativa vai ao encontro de pessoas que tiveram contato direto com o contaminado. Familiares e amigos expostos à bactéria nas últimas 12 horas são o alvo da equipe.

O procedimento, então, é de observação e tratamento com quimioprofilaxia, explica o infectologista Dr. Antônio Magela Tavares, da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

“Quando um paciente é diagnosticado com esse tipo de meningite, imediatamente notificamos uma equipe de vigilância buscativa de contactantes. A equipe identifica quem teve contato mais íntimo e próximo. Eles são medicados e, imediatamente, é assegurada a proteção. Quanto à transmissão, ela acontece quando há o contato direto de pessoas. No caso da faculdade, fechar para higienização é bom, mas faz pouca diferença. Ela fica pouco solta no ar”.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), quarenta colegas de faculdade do estudante, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, e treze familiares dele estão recebendo tratamento

O adolescente foi diagnosticado com a doença meningocócica, que é uma infecção bacteriana aguda, com alto risco de fatalidade. Este é o segundo caso identificado em Manaus em 2018. O controle para a taxa desta infecção, segundo Dr. Magela, depende da taxa de imunidade pessoal. As estatísticas apontam que entre 5% e 10% das pessoas possui a bactéria, mas ela não evoluiu no sistema. É o caso de “pessoas sãs”.

“A vacina que faz o controle da meningite  – da que podemos ter controle – não se estende para esta, que não conta com uma imunidade duradoura. Esta bactéria é transmitida por uma pessoa sã, que não desenvolve a doença. Então a transmissão é silenciosa. Todo mundo entra em contato com ela todo dia, mas só quem tem uma deficiência imunológica tem a manifestação. Quando entra no corpo de alguém que não tem imunidade eficaz, o organismo tenta se defender. É uma infecção generalizada grave. Muito agressiva”.

No Amazonas

Segundo os dados do Boletim Epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), o Estado teve confirmados durante todo o ano de 2017 cerca de 205 casos de meningite. No primeiro trimestre deste ano, foram confirmados 27 casos da doença, contra 55 casos confirmados no mesmo período de 2017, registrando assim uma redução de 51% dos casos.

No caso da meningite meningocócica, a forma mais grave da doença, a redução foi de 75% dos casos, quando comparados no primeiro trimestre deste ano, com apenas um caso confirmado da doença contra 4 confirmados em 2017.

Em Manaus

Na capital, de janeiro até hoje foram 43 casos suspeitos, com dez descartados e 22 confirmados para meningite, sendo dois positivos para doença meningocócica, como é o caso do estudante da Estácio. Vale ressaltar que os dados desse ano estão sujeitos a alteração, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN Net/Semsa).

Em 2017, foram notificados 210 casos suspeitos de meningite na capital amazonense. Dentre eles, 49 foram descartados. Dos 161 confirmados para meningite (inflamação nas meninges), 13 foram positivos para Doença Meningocócica. 

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