A política, o descrédito e o voto
O eleitor atento irá se manifestar sobre o desempenho dos legisladores e, nessa manifestação, acionará, pela pressão, outras instâncias no âmbito dos mecanismos da justiça eleitoral.
Algumas condutas de parlamentares estão se tornando recorrentes e, na soma, revelam uma fotografia enunciadora do perfil representativo da sociedade no Poder Legislativo. Cabe aos parlamentares, inicialmente, tomar providências por meio das comissões vigentes dentro das Casas Legislativas e dos documentos que estabelecem as regras e o estatuto parlamentar, para estabelecer ou reestabelecer os limites de determinadas condutas, caso tenham interesse em salvaguardar o oficio que desenvolvem.
A outra parte é da responsabilidade da sociedade civil organizada que por meio do voto faz a entrega de mandatos periodicamente a vereadores, deputados estaduais e federais, senadores. Ao se interessar em buscar informações a respeito da conduta dos eleitos, os eleitores podem agir, tanto para repreender quando para vetar um novo mandato ou mesmo suspender a outorga feita. O eleitor atento irá se manifestar sobre o desempenho dos legisladores e, nessa manifestação, acionará, pela pressão, outras instâncias no âmbito dos mecanismos da justiça eleitoral.
Há limites, na ação legislativa, que estão sendo rompidos e o silêncio construído sobre tais condutas no espaço do parlamento e na sociedade é preocupante: aprofunda o desgaste do exercício político-parlamentar, sugere a criminalização do parlamento e dos parlamentares, abre espaços para outras experiências que só são possíveis de êxito pela depreciação do parlamento – na tática de desqualificar a política, os políticos e, ao fazê-lo, utilizar o espaço para outros negócios perigosos aos direitos dos cidadãos – e no contínuo ataque à democracia visando fragiliza-la e substitui-la.
O parlamento é necessário ao país. A inexistência dele ou existindo, mas fragilizado, afeito a descaminhos das funções de seus membros, é nociva à sociedade em todos os aspectos propiciando a prevalência de um modo em que as normas sociais são ignoradas.
A lei, mecanismo criado para estabelecer as regras das relações sociais e proteger os indivíduos, garantir direitos, é lançada para o lixo e a sociedade se aproxima ou passa a viver a barbárie.
Deveria incomodar o parlamento a percepção negativa do exercício parlamentar e da política em sentido ampliado, como o lugar de realização de práticas ilegais e que para esse espaço vão aqueles dispostos a fazer esse tipo de negócio. É promover o afastamento das pessoas e, notadamente, dos jovens que têm uma leitura entre o cansaço e a descrença com o parlamento. O que é muito ruim.