Mineração de Bitcoin poderia minimizar as mudanças climáticas, diz estudo
Antes criticada pelo alto consumo de energia, a mineração agora é um dos maiores catalisadores para projetos de energia sustentável
No decorrer dos anos, o processo de mineração de Bitcoin foi alvo de críticas por parte dos ambientalistas. Alguns órgãos ligados à proteção ambiental levantaram o debate de que o processo de mineração estaria gerando um alto consumo de energia elétrica.
Em 2021, o Centro de Energia Alternativa da Universidade de Cambridge chegou a afirmar que a criptomoeda consumia mais energia em um ano do que todo o consumo da Argentina, por exemplo. O estudo apresentava ainda uma correlação entre o consumo de energia aumentado em momentos que a moeda apresentava tendência de alta em sua cotação nas corretoras de criptomoedas. Entretanto, recentemente, a universidade revisou o seu modelo do índice, revelando que as estimativas anteriores eram consideravelmente exageradas.
Na verdade, ao observar os processos atuais, seria possível afirmar que a mineração não é o incendiário, mas sim o bombeiro desta história. Tendo a inovação e a tecnologia em seu DNA, o Bitcoin, mais especificamente o processo todo que envolve a mineração, tem sido o catalisador para expansão de fontes de energia limpas e renováveis.
Mineração pode mitigar mudanças climáticas
Um recente estudo, publicado pela Universidade de Cornell, apontou que o processo de mineração, além de apresentar um alto nível de sustentabilidade, pode ainda ajudar a mitigar mudanças climáticas.
Isso ocorre especialmente no Texas (EUA), onde é observada a maior realização de mineração. Existem enormes projetos de energia limpa e renovável, como parques eólicos e usinas de energia solar, com o objetivo de sustentar o consumo da rede. Essa relação simbiótica entre a mineração e os projetos de energia limpa e renovável contribui para a sustentabilidade do processo
Esses projetos geram um grande excedente de energia e, por não estarem diretamente ligados à rede, esse excedente gera rendas milionárias que financiam novos projetos de energia renovável, criando uma grande bola de neve positiva.
Somente o estado do Texas é capaz de gerar lucros combinados na ordem de 47 milhões de dólares. Outros estados americanos, como Califórnia, Nevada, Virgínia e Colorado, também abrigam projetos com enorme potencial de lucratividade através das mesmas fontes de energia.
Outro artigo acadêmico, publicado em agosto deste ano, cita que a mineração, à base de energia renovável tem potencial para gerar “descarbonização” das redes de energia, absorvendo a energia excedente gerada por instalações eólicas e solares. Um outro fator positivo para o mercado é que os mineradores podem utilizar a energia excedente para alimentar seus dispositivos e gerarem mais Bitcoins. Esse processo, além de estabilizar a rede, garante rentabilidade aos projetos de energia sustentável.
Além disso, o estudo de Cornell também sugere que sejam realizadas ações políticas para incentivar esses projetos, como recompensar os mineradores que utilizam fontes de energia ecológicas.