Em busca do pleno emprego
A população desempregada ficou em 8,3 milhões no terceiro trimestre deste ano, 3,8% abaixo do trimestre anterior e 12,1% a menos do que o terceiro trimestre de 2022
O índice de desemprego caiu para 7,7% no terceiro trimestre deste ano, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa notícia carrega uma carga ambivalente: é boa, mas, ao mesmo tempo, também é ruim.
É boa pelo aspecto óbvio: o desemprego está cedendo, há oportunidades para quem procura trabalho, o que aponta aquecimento do mercado, demandando mão de obra para manter as atividades econômicas. Trata-se do menor nível de desemprego desde o último trimestre de 2015 (6,6%). A população desempregada ficou em 8,3 milhões no terceiro trimestre deste ano, 3,8% abaixo do trimestre anterior e 12,1% a menos do que o terceiro trimestre de 2022. Sem dúvida, algo a celebrar.
Por outro lado, os dados do IBGE também revelam que a “qualidade” da ocupação das pessoas que estão trabalhando ainda precisa melhorar. Quase 40% das pessoas ocupadas estão na informalidade, isto é, trabalham sem carteira assinada, por conta própria. São trabalhadores à margem de qualquer proteção oficial, sem qualquer amparo da Previdênccia Social. São trabalhadores que não podem adoecer ou se acidentar, sob pena de ficar sem renda nenhuma. E pior, a imensa maioria trabalha sem contar tempo de contribuição para futura aposentadoria. O avanço da informalidade é um fenômeno que vem se agravando nas últimas décadas, e que precisa ser combatido agora, do contrário, em algumas décadas, o País terá que lidar com um gigantesco exército de idosos que não poderão se aposentar, mesmo tendo trabalhado a vida toda.
O desafio do País é retomar o crescimento, de modo a possibilitar o pleno emprego – situação em que todos os que procuram emprego o encontram no curto prazo. Mais que isso: que encontrem trabalho formal, seguro e que lhe garanta todos os direitos inerentes às relações formais de trabalho. Por ora, o que temos é expansão do mercado de trabalho, ainda que às custas da informalidade.
Retomando o argumento do primeiro parágrafo: os dados do desemprego são mesmo bons e ruins ao mesmo tempo. Porém, avaliando no rigor da balança social, vencem os aspectos positivos, afinal, melhor algum trabalho – atividades que se inserem nos limites da dignidade – que nenhum emprego.