Defesa sem fortalecimento
Apesar das ameaças constantes, inclusive oriundas do próprio governo federal, a Zona Franca de Manaus segue como um polo industrial atraente para investidores de todos os portes. Já foi mais atrativa quando a competitividade de alguns segmentos ainda não tinha sido drasticamente reduzida – caso do setor de bebidas, que ainda espera a reversão do corte nos incentivos de IPI. Mesmo assim, ontem, o Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), órgão responsável pela avaliação de projetos de empresas interessadas em operar no Estado, aprovou 26 propostas com investimentos de quase R$ 2 bilhões e expectativa de gerar 1,2 mil novos empregos no momento em que a Zona Franca luta para se fortalecer.
Apesar de todos os ataques, a Zona Franca sobrevive, mas o alerta feito pelo economista José Alberto Machado é dos mais pertinentes: as ameaças à Zona Franca não partem só de fora do Estado. Talvez, a pior ameaça ao modelo esteja aqui mesmo no Amazonas, na forma como lideranças políticas e empresariais locais vêm tratando o modelo nesse meio século de existência. Se não conseguimos sequer manter as ruas do Distrito Industrial em condições de boa trafegabilidade, como podemos dizer que defendemos a Zona Franca? Sobre essa questão específica, vale ressaltar que a Prefeitura de Manaus foi condenada pela Justiça em outubro do ano passado a promover a manutenção e recuperação das ruas do Distrito. Oito meses depois, a situação das vias disponíveis para as empresas está na mesma, se não tiver piorado.
Outra ameaça interna à Zona Franca é a própria resistência de políticos e empresários em ajustar o modelo, promover mudanças que façam diferença e dêem alguma prioridade aos empreendedores locais. A Zona Franca deve manter sua cara internacional, com grandes empresas de diversas partes do mundo, mas é preciso dar mais espaço para o industrial local, que aposta em produtos com matéria-prima, mão de obra e tecnologia regionais. Essa é uma reivindicação antiga, repetida à exaustão nos discursos políticos, principalmente em ano eleitoral, mas nada muda. Os “defensores” da Zona Franca atuam de forma reativa, tentando manter apenas o status quo, fazendo pouco ou nada pelo real fortalecimento do modelo. Enquanto isso não mudar, a ZFM continuará ameaçada.