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A Crítica
Saúde

Especialistas explicam os prós e contras do treino em jejum

O treino em jejum não é uma solução isolada para o emagrecimento, já que seus resultados dependem de diversos fatores além da prática em si

Publicado em 29/03/2026 às 13h20
Especialistas explicam os prós e contras do treino em jejum
Foto: Freepik

O treino em jejum, prática em que o exercício físico é realizado sem a ingestão prévia de alimentos, se popularizou no universo fitness como uma estratégia para a perda de peso. No entanto, especialistas reforçam que não se trata de uma fórmula milagrosa e que seus efeitos dependem de diversos fatores individuais. A nutricionista Cristina Barbosa, especialista na saúde da mulher, lembra que métodos em alta nem sempre apresentam os mesmos resultados para todas as pessoas.

“Falando especificamente sobre a prática do treino em jejum, as evidências científicas se resumem basicamente em resultados semelhantes ao do treino alimentado, quando bem orientado. Ou seja, o emagrecimento efetivo vai depender de fatores como déficit calórico, intensidade e rendimento do treino, preservação de massa muscular, fatores como modulação metabólica e adaptação hormonal”, destaca.

Segundo ela, o treino em jejum pode melhorar a eficácia da oxidação de gordura, a sensibilidade à insulina e o estímulo hormonal. No entanto, não é a única ferramenta. O histórico de saúde deve ser levado em consideração na escolha e no tempo de utilização da estratégia, que precisa sempre ser bem orientada por um profissional capacitado, a fim de evitar efeitos indesejados e prejudiciais à saúde.

“Como nutricionista, gosto sempre de pensar em uma estratégia de alimentação leve que forneça energia o suficiente para evitar hipoglicemia, catabolismo (perda de massa muscular por estresse metabólico), queda de rendimento, desidratação e câimbras”, pontua a profissional.

Para quem é indicado?

Segundo Cristina, esse tipo de treino pode ser adotado como estratégia de periodização, conforme a intensidade da atividade física, com cautela em práticas de alta exigência. A indicação é voltada a pessoas com boa flexibilidade metabólica e sem comorbidades relevantes.

A profissional ressalta, no entanto, que a prática não é recomendada para diabéticos, indivíduos com episódios de hipoglicemia por privação alimentar, histórico de distúrbios alimentares, além de lactantes, gestantes e iniciantes na atividade física.

Energia no treino

O profissional de Educação Física Júlio Silva explica que existem diferentes estratégias para o AEJ e que a ideia de que a energia vem da refeição imediatamente antes da atividade é um equívoco comum.

“Para treinar em jejum, é importante entender que aquele alimento consumido logo antes não terá tempo de ser metabolizado e virar energia, como muitos pensam. O estoque energético para o treino é feito no dia anterior, não imediatamente antes. Nosso corpo passa por vários processos de metabolização para que essa energia seja disponibilizada e utilizada durante o treino”.

“Sendo feito o estoque de maneira correta, a performance pode ser até melhor do que no estado alimentado, já que o corpo está focado em executar as funções metabólicas do treino, e não na digestão. Isso evita complicações gástricas, enjoo ou falta de energia durante a atividade. Já as pessoas que treinam em horários mais para o final do dia devem se alimentar pelo menos duas a três horas antes, para que o processo de digestão no estômago seja finalizado e não atrapalhe o treino, evitando enjoos ou letargia”, completa.

Apoio profissional

Ao abordar a rotina prática, o profissional de Educação Física Júlio Silva alerta que a falta de orientação é um dos principais fatores de risco na adoção do treino em jejum.

“O nosso corpo trabalha sob oferta e demanda. Existe cálculo para isso. Se quer emagrecer, come menos calorias do que se gasta. Se quer ganhar peso, come-se mais calorias do que se gasta. Tudo isso é definido com estratégia nutricional e volume de treino adaptado a cada momento em que a pessoa se encontra. É prejudicial quando não se sabe em que momento está e o que de fato fazer. Aí é que entram os profissionais para delimitar o caminho e as estratégias a serem seguidas”, conclui o profissional.