Manaus e a exclusão das pessoas com necessidades especiais
A Associação de Amigos de Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais (AAPPNG) faz um alerta e um apelo nesse final de ano. É preciso olhar e agir para retirar da condição de dificuldades profundas parcela das pessoas que têm necessidades especiais. São cerca de 500 mil pessoas somente em Manaus e a maioria delas não dispõe de recursos para atender exigências de melhor condição de vida.
A cidade está longe de ser um espaço que inclua efetivamente os portadores de necessidades especiais, melhorou alguns aspectos, mas em geral a concepção do sistema público de serviços não conseguiu contemplar vários segmentos entre os quais esse. A arquitetura de Manaus tem compromisso principalmente com uma cultura que privilegia o fluxo de veículos em detrimento da circulação física de pessoas, da definição de espaços por onde essas pessoas irão circular e dos cuidados que devem receber da administração pública. Essa é uma lição a ser aprendida e realizada a partir de um planejamento sério e que não sofra descontinuidade a fim de superar o déficit manauense nesse item.
No Amazonas, a estimativa é de uma população aproximadamente de 800 mil pessoas portadoras de necessidades especais. Se a estrutura em Manaus se revela precária, nas outras cidades o nível de precarização submete essas pessoas a situação de isolamento. Têm a vida cerceada permanentemente por conta de uma política governamental que as ignora e deixa sob responsabilidade da família inclui-las ou não. Como a maioria não dispõe de recursos financeiros que possam bancar alguns atos de inclusão, elas permanecem reclusas em pequenos espaços.
Nesse aspecto, a cidade não está disponível para elas, pelo contrário, se mostra fechada, impeditiva e geradora de violência, de negação de direitos. Manaus, com população superior a 2 milhões de habitantes, não possui centro de referência de reabilitação e inclusão para pessoas com deficiências, por isso a AAPPNG considera fundamental que o tema se torne pauta na tomada de decisão dos poderes e, dessa forma, retire do esquecimento a que está submetido. Pessoas com necessidades especiais podem e devem ter o direito assegurado de reabilitação, inclusão e de se perceberem parte da cidade onde nasceram ou vivem. Até agora, esse direito tem sido negado.