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A Crítica
Opinião

Expectativas sobre a nova gestão da Suframa

Bosco também tem o desafio de, mesmo oriundo do meio político, não permitir a politização da Suframa, preservando seu caráter técnico, valorizando o corpo de servidores, e modernizando a gestão

Publicado em 26/04/2023 às 09h15
Expectativas sobre a nova gestão da Suframa
Foto: Junio Matos

As prioridades eleitas pelo novo superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, para a autarquia mostram sintonia com as necessidades da instituição: promover integração entre os estados da Amazônia Ocidental, interiorização da indústria e modernização de processos. A integração entre os Estados é uma das missões da Suframa, por meio de convênios e estímulo ao desenvolvimento, algo que nunca foi plenamente alcançado, mas houve alguns avanços décadas atrás.

No início dos anos 2000, a Suframa chegou a realizar o mapeamento estratégico de setores para eleger projetos de grande potencial que poderiam receber recursos. No entanto, nos últimos anos, essas iniciativas estiveram paralisadas. E assim continuam. Essa situação foi tema de cobranças por parte de representantes dos demais Estados da Amazônia Ocidental que, inclusive, têm assento no Conselho de Administração da Suframa (CAS), responsável pela análise e aprovação dos projetos contemplados com os incentivos fiscais.

A interiorização da indústria também faz parte da missão institucional da autarquia: “promover o desenvolvimento socioeconômico na sua área de atuação”. Esse papel de indutor também precisa ser resgatado, só assim poderá atingir sua “visão” de futuro: “ser referência na indução do desenvolvimento socioeconômico na sua área de atuação”. É positivo que o novo superintendente já chegue com o foco em tais pontos, mas também é importante que se diga: programas de interiorização do desenvolvimento não empacaram por problemas de gestão dos ex-superintendentes, mas, principalmente, porque não havia recursos para tal. A autarquia, assim como praticamente todos os órgãos federais convivem com contingenciamento de verbas há vários anos.

Para contornar essa dificuldade, Bosco Saraiva terá que usar toda experiência que acumulou ao longo de sua trajetória para sentar-se à mesa e negociar. A Suframa só será “destravada” quando o governo federal passar a vê-la com a importância estratégica que o modelo merece. E os debates em torno de vindoura reforma tributária são campo ideal para isso.

Bosco também tem o desafio de, mesmo oriundo do meio político, não permitir a politização da Suframa, preservando seu caráter técnico, valorizando o corpo de servidores, e modernizando a gestão.