Garimpos ilegais e o necessário enfrentamento
O aparecimento de peixes mortos, o que aponta para contaminação das águas e uma série de danos na área ambiental.
As ações conjuntas de combate ao garimpo ilegal no Amazonas, em Maués, sinalizam importante mudança de conduta e, em alguma medida, contribui para aliviar a agonia de populações na região cobiçada no território amazonense por grupos de garimpeiros. O aparecimento de peixes mortos, o que aponta para contaminação das águas e uma série de danos na área ambiental.
Nas outras áreas os danos são igualmente enormes a começar pelo fato de serem atividades criminosas. De acordo com nota da assessoria de comunicação da Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas, o garimpo “Filão dos Abacaxis”, utiliza cianeto, material altamente tóxico, e o dano ambiental configurado já ultrapassa a R$ 429.620.980,27, considerando o dano ambiental e o ouro extraído.
Em agosto de 2020, oito pessoas foram mortas e duas permanecem desaparecidas, o que ficou conhecido como o “massacre no rio Abacaxis”. Desde então, moradores daquele lugar, comunidades indígenas, pequenos agricultores e pescadores passaram a viver sitiados, assombrados e com medo que se companhia diária.
Um comitê atua no monitoramento do caso e na busca de esclarecimento, identificação dos responsáveis, punição dos culpados e reparação em alguma medida em relação às vítimas desse ataque.
Nesta operação, batizada de Déjà Vu, o objetivo apresentado pela SRPF/AM é reprimir crimes contra usurpação de bem público da União, decorrentes do garimpo ilegal ao sul do município do Maués. A destruição do garimpo ilegal contou com o auxílio do Instituto Chico Mendes – ICMBio e de policiais da Força Nacional. O trabalho em parceria expõe elementos dos esforços para implantar outro modelo de governança em oposição ao que estava vigorando.
As informações da SRPF/AM são de que os crimes em apuração vão desde a usurpação de bem público da União, crime ambiental de extração de bem mineral sem autorização do órgão responsável, crime ambiental de utilização de substância perigosa ou nociva à saúde ou meio ambiente (mercúrio/cianeto). Também o de associação criminosa armada, lavagem de capitais, submissão de pessoas a trabalho análogo à escravidão. Na estimativa da Superintendência Regional da Polícia Federal do Amazonas, as penas para esses crimes, somadas, ultrapassam 30 anos de prisão.
O garimpo ilegal no Amazonas é uma das expressões da criminalidade da extrema violência. Utilizar as forças e os instrumentos legais, de forma adequada, para debelar a estrutura e a rede montada no Estado é uma necessidade. Os moradores dessas localidades há muito pedem socorro.