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Acordo do Mercosul com a Europa está mais perto

As tratativas foram retomadas após a ofensiva tarifária do presidente norte-americano Donald Trump sobre os mercados do mundo, que levou as nações atingidas a buscar formas de depender menos dos Estados Unidos.

Publicado em 19/12/2025 às 09h03
Acordo do Mercosul com a Europa está mais perto
Foto: Agência Brasil

Após 25 anos de negociações, o Mercosul está muito próximo de celebrar um grande acordo comercial com a União Europeia. Existe a possibilidade de que o acordo seja assinado neste sábado, durante a 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados. As negociações enfrentam forte resistência de alguns setores europeus, notadamente de agricultores, temendo que produtos brasileiros mais baratos inundem a Europa.

Líderes tentam contornar tal obstáculo com a introdução de salvaguardas no texto final. As tratativas foram retomadas após a ofensiva tarifária do presidente norte-americano Donald Trump sobre os mercados do mundo, que levou as nações atingidas a buscar formas de depender menos dos Estados Unidos.

Vale ressaltar que um acordo entre Mercosul e União Europeia poderia trazer benefícios para a Zona Franca de Manaus. Isso porque o texto em discussão prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para máquinas, equipamentos e componentes industriais europeus. Como a ZFM depende fortemente da importação de peças para montagem de eletrônicos e motocicletas, o custo de produção em Manaus poderia cair, tornando os produtos finais ainda mais competitivos.

Além disso, a parceria também facilitaria cooperação tecnológica e o adensamento das cadeias produtivas, permitindo que as indústrias de Manaus acessassem inovações europeias mais modernas. Isso sem falar na possibilidade de abertura de novos mercados para certos produtos da Zona Franca na Europa, o que poderia impulsionar setores como os de alimentos, fármacos e fitoterápicos, eternos potenciais do modelo amazonense.

Por outro lado, também haveria riscos que precisam ser cuidadosamente avaliados. Um dos principais é que a redução de tarifas de importação para produtos acabados europeus – como veículos e eletrodomésticos – poderia ameaçar a fatia de mercado das indústrias de Manaus no Brasil. Produtos europeus de alta qualidade poderiam entrar no país com preços mais baixos, exigindo que a ZFM melhorasse substancialmente sua eficiência, o que até pode ser positivo se a Zona Franca tiver condições de dar esse salto de modernização. Aguardemos com atenção os desenrolar dos fatos.

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