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A Crítica
Saúde

Quarta fit: Alimentação saudável e inclusiva

Nutricionista dá dicas de como incluir alimentos saudáveis no dia a dia de crianças autistas

Publicado em 17/09/2025 às 10h05
Quarta fit: Alimentação saudável e inclusiva

Seletividade alimentar é mais do que um mero ‘paladar infantil’. Embora esse termo tenha caído no gosto e no uso popular, ele é frequentemente relacionado a um adjetivo para caracterizar pejorativamente um indivíduo que não come a comida X ou Y. 

Diferente das crianças ‘ditas normais’, que não comem certos alimentos porque simplesmente não gostam do sabor, as crianças autistas precisam de mais atenção e cuidado nesse sentido, pois elas realmente possuem hipersensibilidades sensoriais que podem durar a vida toda, incluindo a do paladar. 

Esse padrão pode levar a sérias deficiências nutricionais, já que uma alimentação variada é a chave para uma boa nutrição física e mental, o que para um nutricionista seria uma alimentação rica em fibras, proteínas, carboidratos complexos e pobre em gorduras, e que para a visão de uma criança é um prato cheio de cores, sabores, texturas e aromas. 

Claro, é normal que crianças não gostem de vegetais, verduras e algumas frutas e carnes, mas essa seletividade alimentar pode ser trabalhada de forma lúdica e didática, incluindo com o apoio da família, como afirma Bárbara Ribeiro Tonsic, nutricionista e professora do curso de Nutrição EAD da UniCesumar.

“O momento da alimentação é desde o nascimento, um vínculo entre bebê e mãe, o qual passa segurança e afeto, e assim continua ao longo do desenvolvimento da criança. O envolvimento da família é crucial para que a criança se sinta segura e incentivada a provar novas texturas, cores e sabores”, explicou a profissional.


Bárbara Tonsic, nutricionista e professora do curso de Nutrição EAD da UniCesumar. (Foto: Divulgação)

 

Ao observar que uma nova cor de comida faz parte da alimentação coletiva da casa, a criança passa a aceitar aquilo como um padrão, e nas próximas refeições, pode contar com a previsibilidade do “novo” alimento fazer parte da mesa. A família deve sempre estimular, oferecer, mas nunca forçar a criança a comer. Ao observar que os pais comem diferentes alimentos, o ambiente mostra segurança e rotina, então, a aceitação se torna mais fácil. 

A seguir, a nutricionista dá dicas de como introduzir alimentos saudáveis na rotina de crianças autistas.

Brinque com os alimentos: Brincadeiras para que a criança prove o alimento sem ser forçada podem ser utilizadas como por exemplo: chame-a para brincar, pegue um morango, e brinque com ela “Vamos encostar o morango na outra mão. Agora vamos encostar o morango na ponta do nariz. No olho, na boca… Vamos segurar o morango com os dentes, mas não pode deixar cair”.

Neste ponto, a parte da repetição, oferta e paciência, são importantes para que a criança se habitue com o novo, e possa dar oportunidades, mas novamente, nunca forçar.

Deixe alimentos novos no canto do prato: Oferte o alimento sempre que possível, coloque no cantinho do prato, mas sempre oferte em pequena quantidade, mesmo que ela não coma. Aqui, você deve oferecer, mas também comer para mostrar que é seguro e que, pode ser um padrão, comer aquele alimento também.

Ainda, quando a criança comer algo novo naturalmente, é importante não demonstrar felicidade, e apenas agir como se aquilo fosse de fato, natural na rotina.

Deixa acontecer naturalmente: Algumas características do ambiente podem causar desconforto, que acaba refletindo na recusa alimentar, além de frases como “experimente um pouco”; “está tão gostoso”; “come só um pouquinho”, podem desestabilizar a criança, não insista, apenas oferte e coma com ela.

Deixe a criança fazer parte do processo de preparo do alimento: Convidar a criança para preparar alimentos que ela já gosta é importante para que se sinta parte do processo. Novamente, nunca forçar a comer nada. 

Outra opção é apresentar novos alimentos, em cortes que ela já gosta, por exemplo: se a criança gosta de batata frita, tente o formato da batata frita com batata doce, cenoura, mandioca, etc. Ou, se a criança gosta de purê e alimentos pastosos, busque fazer a mesma forma de preparo com outros alimentos. 

Aqui, vale a pena convidá-la para ir ao mercado ou feira comprar este novo alimento específico, também em formato de brincadeira: “Vamos brincar de restaurante hoje” ou “Preciso muito da sua ajuda para ir ao mercado escolher os ingredientes para nosso jantar” (ou alguma brincadeira que a criança goste).