Medina destaca ‘expectativas’ da COP-30 após impressão negativa da COP-29
Fala ocorreu durante seminário de preparativo para a COP-30 realizado na Câmara Municipal de Manaus
O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Medina, afirmou que a COP-30, sediada em Belém no mês de novembro, começará recheada de expectativas após uma série de polêmicas na edição do ano passado realizada no Azerbaijão. A fala ocorreu durante um seminário sobre a conferência na Câmara Municipal de Manaus (CMM) nessa terça-feira (8).
Segundo ele, a COP sediada em Baku ficou marcada por acusações de falta de transparência, pela presença de lobistas do petróleo e avanços limitados, mas elogiou a definição “de uma nova meta de financiamento”, com 1,5 trilhão de dólares destinados até 2030 para o combate às mudanças climáticas.
“A COP-29 teve avanços modestos em relação aos compromissos de energia renovável, de redução de emissões. Por isso Belém vem nessa esteira de uma expectativa de, ali sim, começarmos a definir uma rota de redução dos combustíveis fósseis na margem energética global”, disse.
O presidente do Inpa também afirmou que as situações de falta de transparência e lobismo ocorridas no último ano não tem o risco de ocorrer no Brasil e que o país terá uma “conferência participativa, transparente”, algo que já estaria ocorrendo na preparação do evento, que disponibiliza a documentação no site oficial.
O evento também contou com a participação do professor Denison Melo, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que apresentou como é possível identificar as crises climáticas na região amazônica a partir do comportamento dos peixes.
A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT), Alzira Melo Costa, também palestrou em prol dos catadores de recicláveis e como a formalização desse trabalho pode contribuir para a recuperação do meio ambiente, enquanto o desembargador Flávio Pascarelli, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) abordou o tema dentro de ações judiciais em curso atualmente.
O diretor da escola do legislativo da CMM, Edilson Rhasley, que cedeu o espaço para a realização do evento, destacou que a realização da COP no Brasil era uma oportunidade para discutir o desenvolvimento de ações sustentáveis a partir da realidade de Manaus.
“A questão aqui é preservação. É um assunto urgente e que se fala muito. Estamos vendo a questão das queimadas. Recentemente Manaus sofreu com secas extremas, enchentes extremas. Isso despertou nas pessoas um interesse por esse assunto, e a Câmara Municipal de Manaus sai na frente para aproveitar esse evento”, disse.
Grito de socorro
O vereador Aldenor Lima (União), que presidiu a abertura do evento, destacou a necessidade de atitudes em prol do meio ambiente e afirmou que “o planeta terra está pedindo socorro há muito tempo”.
“Há 30 anos, quando se começou a fazer a COP, ela já estava pedindo socorro. Então, que a gente use esse meio que hoje tem aqui, o seminário, para que a gente possa levar para Belém, na COP-30, as nossas necessidades, o que de fato a gente pode fazer para ajudar o meio ambiente”, disse.
Na sequência, o deputado estadual Sinésio Campos (PT), que preside a comissão temporária da COP-30 na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), destacou que o grupo deverá apresentar até agosto um documento com sugestões e necessidades da população local durante a conferência no Pará.
“Documento esse que é fruto de debates das universidades, das Câmaras Municipais. Esse debate está sendo tratado pela Associação dos Municípios, com o Ministério Público do Trabalho, está sendo discutido também pelo Tribunal de Contas do Estado, pelo Tribunal de Justiça. O nosso objetivo é que até agosto eles possam trabalhar um documento único, porque sabemos que o enfrentamento em Belém não vai ser fácil”, afirmou.