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Brasileiro-alemão vira ‘embaixador digital’ e conecta culturas com humor e informação

Alexandro Schreiber, criador da página @alemaozando, promove intercâmbio cultural, leve e informativo, com conteúdos sobre cultura, idioma e experiências entre Brasil e Alemanha,

Publicado em 11/05/2025 às 15h44
Brasileiro-alemão vira ‘embaixador digital’ e conecta culturas com humor e informação
Foto: Arquivo pessoal

Munique, Alemanha – Com dupla cidadania, o engenheiro mecânico Alexandro Schreiber, de 30 anos, que nasceu em Munique, Alemanha, e cresceu fazendo uma conexão cultural de idas e voltas entre Brasil e Alemanha, desde 2018, tem utilizado sua plataforma digital, @alemaozando, para compartilhar suas experiências e insights sobre os dois países, assumindo um papel importante, ajudando brasileiros e alemães a entenderem a cultura um do outro e facilitando a vida de muita gente que viaja para o “país da cerveja” e que pretende um dia imigrar para lá.

O que começou como um hobby de forma despretensiosa se transformou em uma comunidade poderosa de mais de 170 mil seguidores, unindo brasileiros, alemães e pessoas de diversas nacionalidades, propondo um diálogo constante sobre tradições, costumes e desafios interculturais.

“Eu gostava de postar conteúdos bem-humorados, brincando com o idioma alemão e com os conflitos interculturais entre Brasil e Alemanha. E criar conteúdo sempre foi algo natural para mim. O feedback positivo das pessoas, somado à minha vontade constante de me expressar, me manteve firme e consistente na internet, principalmente no Instagram”, conta o influenciador.

Hoje, segundo ele, aquela brincadeira virtual simples tomou uma proporção jamais imaginada pelo engenheiro, que reconhece seu papel como uma espécie de “embaixador digital”, que tem mostrado a cultura, costumes, gastronomia e turismo do país europeu de forma didática, com toques de criatividade e de forma interativa.

“Desde que comecei, em 2018, a criar conteúdo na internet conectando o Brasil à Alemanha, percebi que existe um laço muito forte entre esses dois países. Nunca imaginei que isso tomaria uma proporção tão grande. Hoje, mais de 170 mil pessoas acompanham meu trabalho. Percebo que assumi um papel importante, ajudando brasileiros e alemães a entenderem suas culturas e acho que isso facilita a vida de muita gente que vem para a Alemanha ou pretende vir um dia”, avalia Alexandro.

Encontro e influência das duas culturas

A história de Alexandro começa literalmente nas nuvens, durante um voo que uniu seus pais, Marlucia e Thomas. A mãe, uma brasileira de Vitória, Espírito Santo, apaixonada pela cultura germânica, e o pai, um alemão de Hannover, encantado pela vivacidade e particularidades da riqueza cultural do Brasil, se conheceram quando Marlucia estava a caminho da Alemanha para estudar e Thomas voltava de uma viagem pelo Brasil, que incluiu uma visita ao famoso garimpo da Serra Pelada.

O amor intercultural dos pais serviu de inspiração e uma das principais razões que moldaram a personalidade de Alexandro, que, desde criança, teve a oportunidade de conviver com influências ricas e diversificadas de ambos os países. “Ter a oportunidade de ter tido esse contato com essas duas culturas incríveis e seus contrastes foi uma das experiências mais fascinantes da minha vida. Desde pequeno, tive influências brasileiras da minha mãe, que me ensinou o melhor da nossa cultura, e influências alemãs do meu pai, que me mostraram o jeito alemão de encarar a vida”, afirma Alexandro.
Pai de Alexandro, a mãe, Marlucia, conheceu Thomas em um voo a caminho da Alemanha (Foto: Arquivo pessoal)

 

Para ele, essas percepções interculturais foram profundas e o ajudaram a se tornar uma pessoa com uma visão singular sobre o mundo e diversos temas. ”Acredito que o maior impacto disso tudo é a capacidade de enxergar o mundo não por uma única lente cultural imposta desde a infância, mas de forma mais ampla, empática e tolerante”, analisa.

Natal e Páscoa

O influenciador digital diz que do lado alemão, as memórias de celebrações de Natal e Páscoa com seus avós alemães marcaram profundamente sua vida. Apesar de a religião não ser uma presença forte em sua rotina, ele reconhece a importância desses ensinamentos.

“As tradições alemãs mais marcantes na minha vida vieram dos meus avós, que infelizmente já faleceram. Eles eram cristãos e valorizavam profundamente as tradições da igreja, como as celebrações de Páscoa, Natal e também gestos simples, como rezar antes das refeições. Reconheço o valor que tudo isso teve na minha formação, graças à minha família alemã. Foram aprendizados essenciais sobre respeito, rotina e valores”, garante.  Em contrapartida, as tradições e culturas brasileiras, como o samba e o carnaval, trouxeram um espírito vibrante que equilibra sua visão do mundo, concedendo-lhe uma perspectiva multifacetada e aberta. “As influências brasileiras me ensinaram a viver o presente com alegria e otimismo, enquanto as tradições alemãs reforçaram a importância da rotina, respeito e valores”, diz.

Aliás, a música brasileira é uma de suas paixões, e mesclada com a música alemã, segundo ele, a dobradinha ficou ainda melhor. “Sou apaixonado por música e amo os sons dos dois países. No Brasil, escuto muito samba e sertanejo. Já na Alemanha, costumo ouvir mais rap. Acho que a música conecta a gente com boas lembranças de cada país, por isso costumo ouvir mais música alemã quando estou no Brasil e o contrário também”, comenta, citando como referência o cantor Michael Kraemer, que faz exatamente essa mistura: “Ele compõe músicas em alemão com ritmos brasileiros. Gosto bastante do trabalho dele. Fica a recomendação”, dá a dica.
Alexandro Schreiber e a namorada Karla Mendonça (Foto: Arquivo pessoal)

 

Marcas de roupas e Amazônia

Para exaltar o Brasil por todas as partes do mundo, Alexandro Schreiber criou a Achtung Brasil, que nasceu neste processo da ponte intercultural entre Brasil-Alemanha. “O verdadeiro objetivo da minha marca de roupa é valorizar e exaltar o Brasil mundo afora, de forma ampla e autêntica. Somos um país maravilhoso, rico em tudo, e esse orgulho brasileiro precisa ser estampado por aí”, afirma, orgulhoso.

Questionado se conhecia a Amazônia, ele respondeu que sim. “Eu conheci Manaus e a Floresta Amazônica em 2015. Tomar o verdadeiro açaí no café da manhã, comer tapioca fresquinha e presenciar o encontro das águas com o Rio Negro e o Rio Solimões, e, claro, o pôr do sol indescritível que só o Amazonas consegue oferecer foram experiências únicas. Quero voltar logo!”, disse, empolgado.
Para exaltar o Brasil, Alexandro Schreiber criou a Achtung Brasil, que nasceu neste processo da ponte intercultural entre Brasil-Alemanha (Foto: Arquivo pessoal)

 

Dicas

Sobre o conselho que o alemão-brasileiro daria para um brasileiro que quer morar na Alemanha, Alexandro afirma, categórico: “Não romantize a vida na Europa e não venha morar na Alemanha se o seu argumento mais forte é ‘eu odeio o Brasil’. Apesar de tudo que se idealiza sobre viver na Alemanha, como tudo na vida, nada é fácil. Você precisa se preparar, aprender o idioma e conhecer a cultura. E isso, para muita gente, é um baita desafio. Aprender o idioma pode ser um obstáculo, mas que pode se tornar seu maior aliado. Todos são bem-vindos, mas é importante saber que permanecer na Alemanha exige esforço.”

 

* Esta reportagem faz parte da série “Um amazonense pela Europa”,  com dez matérias escrita pelo jornalista amazonense Marcelo Guilherme, com exclusividade para A CRÍTICA, durante sua viagem pelo continente europeu, conhecendo outros amazonenses e também brasileiros de outros estados, pela Espanha, Alemanha e Portugal. 

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