Para conter Delta, Amazonas deve antecipar 2ª dose da vacina, aponta Cievs
Centro de Informações da Vigilância Sanitária alerta para possível aumento exponencial de novos casos da doença após ser confirmada a circulação da variante mais agressiva da Covid-19
Com a confirmação da circulação da variante Delta do novo coronavírus no Amazonas, o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs), órgão ligado à Fundação de Vigilância Em Saúde (FVS), recomendou, em uma lista de 13 itens, que seja antecipada a aplicação da segunda dose no calendário de vacinação da Covid-19 em todo o Estado. Conforme o vacinômetro da FVS, o Amazonas aplicou 2,3 milhões de doses correspondente à primeira, e cerca de 760 mil da segunda dose.
O Comunicado de Risco número 15 foi emitido nessa quarta-feira (18), horas depois do órgão ter sido notificado de seis casos confirmados da Delta no Amazonas. O relatório alerta para um possível aumento exponencial de novos casos, e pede maior ampliação da vigilância genômica, capaz de rastrear e mapear a rede de contatos que possíveis infectados podem atingir.
Os casos confirmados da variante considerada mais agressiva que a Beta e a Gama (P.1) foram detectados em quatro pessoas residentes em Manaus (duas mulheres, de 40 e de 41 anos, e dois homens, de 16 e de 74 anos), e dois residentes no município de Maués (duas mulheres de 35 e de 59 anos).
Os pacientes apresentaram febre, dor no corpo, dor de garganta, tosse, coriza, lombalgia, mialgia e dor de cabeça. As pessoas que testaram positivo relataram terem viajado aos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro ou terem tido contato com parentes que estiveram nesses dois últimos estados. Todos apresentaram sintomas leves e não tiveram necessidade de internação, conforme a FVS.
Medidas
Além da antecipação da segunda dose da vacina, o alerta de risco do Cievs recomenda que as Vigilâncias Ativas nos portos, aeroportos e rodoviárias na capital e municípios do interior do estado, aumentem a capacidade de fiscalização. O relatório recomenda também intensificar a vacinação em todos os municípios; testar e rastrear os casos confirmados de Covid-19 e seus contatos.
O alerta pede que sejam mantidos protocolos gerais de prevenção, como medidas de distanciamento físico, higiene pessoal e sanitização de ambientes. Ampliação da comunicação dos riscos e medidas de prevenção, além de recomendar intensificar o esclarecimento de passos a seres seguidos em caso de confirmação para doença.
O comunicado aponta para a necessidade de preparar a rede de assistência, com Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), insumos como oxigênio e, a manuteção de leitos clínicos, para um “possível aumento exponencial de casos de Covid-19”, recomenda o Cievs.
Atualmente, o intervalo de doses das vacinas contra Covid-19 adotados no Brasil são de, no mínimo, 21 dias, mas em alguns casos essa previsão pode se estender em mais de dois meses após a primeira dose. Isso se deve ao posicionamento do Ministério da Saúde, que adota uma conduta distinta ao das fabricantes de vacinas quanto ao período entre a primeira e a segunda dose.
A variante Delta se tornou comum entre os novos casos de coronavírus no Brasil, após ter sido detectada pela primeira vez na Índia, no início deste ano. As fabricantes de vacinas tem insisitdo que as doses conseguem ser eficazes contra a variante, e que possivelmente seja necessário uma terceira dose de reforço. O Ministério da Saúde, por exemplo, já assumiu que deve ter uma 3ª dose da vacina contra Covid-19.
*Colaborou Lucas Vasconcelos