Manaus qua, 4 nov
A Crítica
Saúde

Médico decide atender moradores dentro de prédio para mantê-los em casa

Pedro Henrique Gomes, 24, se disponibilizou para realizar gratuitamente atendimentos para casos de pessoas que precisem de renovação de receitas ou que estejam sofrendo de enfermidades simples

Publicado em 27/03/2020 às 20h11 · Atualizado em 10/03/2022 às 11h26
Médico decide atender moradores dentro de prédio para mantê-los em casa
Foto: Arquivo pessoal

Diante da necessidade de isolamento causada pela disseminação da Covid-19, o médico residente em dermatologia Pedro Henrique Gomes, 24, decidiu atender de graça moradores do condomínio onde ele mora, localizado no bairro Parque 10 de Novembro, na Zona Centro-Oeste de Manaus. A ideia é que se possa ajudar as pessoas a saírem o menos de casa possível.

A motivação da ação surgiu com base nas dificuldades pelas quais a família de Pedro Henrique passa.

“Eu tenho uma mãe que sofre de lúpus e uma avó que necessita de alguns medicamentos. Ambas precisam fazer renovação de receita e acompanhamento médico, mesmo que o ideal seja que elas não tenham de ir a locais com aglomerações de pessoas”, relatou.

Pensando nos casos da mãe e avó, Pedro decidiu atender aos moradores do condomínio Eco Life, onde ele mora. Depois de obter a autorização da síndica, o médico informou aos moradores que se pôs à disposição de atendimentos para casos de pessoas que precisem de renovação de receitas ou que estejam sofrendo de enfermidades simples, como dores de cabeça, estômago, diarreia e febre.

“A gente precisa fazer de tudo para ajudar as pessoas ao máximo, nesse momento”, disse.

Além das consultas, Pedro também tira dúvidas dos pacientes via WhatsApp. A maioria deles é composta por jovens adultos, de acordo com o residente em dermatologia.

“O engraçado é que agora eu me vejo nessa relação médico-paciente com pessoas que antes só trocavam palavras comigo no elevador”, contou.

Conforme Pedro, alguns pacientes se mostraram receosos durante as consultas. “Muitos reparam no fato de eu ter só 24 anos, mas, durante a conversa, eles conseguem perceber que a minha idade não influencia no diagnóstico”.

Médico em semi-quarentena

Residente de dermatologia na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, localizada no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus, Pedro sai de casa apenas para ir ao trabalho.

“Sair com os amigos, por exemplo, está fora de questão. Nós, da área médica, podemos ser os transmissores de qualquer tipo de doença, então o cuidado é redobrado”, disse.

Segundo ele, a rotina no condomínio onde mora mudou. “As pessoas não entram no elevador, se percebem que há mais de duas pessoas dentro dele”, relatou.

Há três semanas, o médico não visita nem mãe, nem avó. “A ideia de eu passar o vírus para minha mãe ou avó e elas acabarem falecendo é muito ruim. Se não tivesse de trabalhar, ficaria somente em casa”.