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A Crítica
Meio Ambiente

‘A ideia é transformar Maués na capital da sustentabilidade na Amazônia’

Durante a realização do Sthorm Festival, Junior Leite disse que pretende fazer da Terra do Guaraná uma vitrine e um polo para o debate mundial sobre ciência, desenvolvimento e produção sustentável

Publicado em 09/10/2023 às 16h44 · Atualizado em 27/10/2023 às 23h29
‘A ideia é transformar Maués na capital da sustentabilidade na Amazônia’
Foto: Junio Matos - 07/out/2023

MAUÉS – No fim do seu segundo mandato, o prefeito de Maués, Junior Leite, tem uma meta ousada: transformar a cidade, conhecida como a Terra do Guaraná, na “capital amazônica da sustentabilidade”.

“A ideia é fazer tal qual Parintins – que uma vez por ano torna-se a capital da cultura, do folclore no mundo – que Maués se tornasse a capital da ciência, da sustentabilidade na Amazônia para o mundo”, disse o prefeito, em entrevista durante o Sthorm Festival, no último sábado (7).


O prefeito Junior Leite durante o festival (Junio Matos)

O primeiro passo, segundo ele, foi dado com a realização do Sthorm Festival Maués, que reuniu cientistas, gestores, empresários, artistas e ativistas para discutir essa pauta.

Pelo menos uma segunda edição do evento já está garantida pelo CEO da empresa Sthorm, Pablo Lobo.

“É o primeiro ano que a gente faz aqui. Espero que não seja o último. Acho que a gente vai ficar para aprender muito mais”, adiantou.

Exemplo de sustentabilidade

A ideia inicial, explicou Lobo, foi usar Maués como um exemplo de sustentabilidade na prática, que desenvolve atividades extrativas e de produção rural de baixo impacto, além de ter os melhores indicadores de longevidade da América Latina e bons índices de saneamento básico.


O fundador e CEO da Sthorm, Pablo Lobo (Junio Matos)

O CEO comparou a cidade com o país fictício de Wakanda, reino africano com alto índice de desenvolvimento retratado em HQs e filmes do super-herói Pantera Negra, da Marvel Comics.


Lideranças indígenas acompanharam as discussões (Junio Matos)

“Eu falei para o Junior, deixa eu tentar fazer (o festival aí). Deixe a gente, de repente, tentar contar essa história de Maués para o mundo, porque vocês já estão fazendo o que a gente está tentando aprender. Maués já cuida da floresta. A gente foi numa comunidade de hoje onde os caras fazem agrofloresta. Tem um monte de bilionário tentando aprender agrofloresta em fazendas bilionárias de São Paulo e é só vitrine – eles estão tentando fazer, não estão fazendo”, disse, ao contar que a primeira edição aberta do festival foi realizada em setembro, em Piracicaba, no interior de São Paulo.

Agregar valor aos produtos amazônicos

Junior Leite disse que um dos objetivos é encontrar meios para agregar valor à produção local.

“Aqui nós temos inúmeros produtos, o pau rosa, o guaraná, o próprio açaí, andiroba, copaíba. O que a gente precisa é agregar tecnologia e ciência para que a gente desenvolva novos produtos que agreguem maior valor e ampliem a cadeia produtiva desses elementos”, disse.

“Por exemplo, o guaraná de Maués é o melhor do mundo e ele é usado majoritariamente para a indústria de refrigerante. É um desperdício. Se a gente colocar esse guaraná na indústria de fitos, de fármacos, de nutracêuticos, o mesmo quilo de guaraná produzido aqui multiplica 10, 15 vezes o valor, e aí a gente vê melhora efetiva para o caboclo que está no interior do estado fazendo produção”, exemplificou.

Chamar a atenção do mundo

O contexto da forte estiagem na região com alto registro de queimadas deu um novo significado ao festival.

“Veio a seca, a gente foi mais um motivo para a gente ir para cá. Usar (o evento) não só para mostrar o que Maués está fazendo pela floresta amazônica, mas também tentar usar isso para chamar a atenção para cá. Uma mega crise, que impacta o mundo inteiro”, disse Pablo Lobo.


Público acompanhou as discussões e apresentações musicais (Junio Matos)

“Então, a gente está tentando usar não só para esse objetivo original de chamar atenção para soluções globais, que são um pouco mais avançadas, mas também chamar atenção para a crise, tentar reverter isso de alguma forma para a cidade, para o estado, para floresta, para diversidade”, acrescentou.

Mesas-redondas, palestras e música

Na praia da Ponta da Maresia e aberto ao público, o festival teve debates e apresentações sobre ciência, saúde e sustentabilidade, com nomes renomados desses setores, executivos da Sthorm e gestores públicos.


Festival foi realizado nas areias da icônica praia da Ponta da Maresia, palco dos tradicionais Festival de Verão e Festa do Guaraná (Junio Matos)

O encerramento foi marcado por apresentações musicais das cantoras Agnes Nunes, Luna Di e do grupo mauesense Çapó. Um dos sócios da Sthorm e lenda do rock, o baterista Matt Sorum participou do momento musical e empolgou o público.

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Matt Sorum e Agnes Nunes durante o momento musical (Junio Matos)

A Sthorm e o festival

Um dos fundadores da Sthorm, o CEO Paulo Lobo explicou que a empresa surgiu há cerca de 15 anos com a proposta de desenvolver soluções de impacto social acima do lucro. A ideia de juntar gestores, cientistas, ativistas e artistas veio depois, em encontros inicialmente realizados a portas fechadas nos idos de 2013 e só ganhou maiores proporções neste ano, com uma primeira edição em Piracicaba (SP).

“Esse evento começou na minha casa. A ideia era tirar um dia do ano para motivar todo mundo (da Sthorm)”, disse Lobo.

“A gente trabalha com um time de um monte de gente bacana que tenta criar soluções para problemas globais, como saúde, o planeta, mudanças climáticas, educação. Então, é difícil você manter esse monte de gente motivada o tempo inteiro se não tem muita grana para competir com a indústria. A gente não é filantropia, mas também não é uma empresa que só busca lucro; é super complexo, um modelo diferente”, acrescentou.

“Então o Matt (Sorum), que é meu sócio, ele propôs que a gente fizesse um encontro do time com os fundadores para motivar todo mundo”, complementou.

Saiba mais

O Sthorm Festival Maués teve como tema “Ciência e Sustentabilidade na Amazônia”. O evento foi realizado pela Sthorm e pela Prefeitura de Maués, com apoio do Governo do Amazonas. A produção foi da Ekco Produções.

*Os jornalistas viajaram a convite da organização