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A Crítica
Meio Ambiente

Amazonas tem maio com recorde histórico de queimadas, aponta Inpe

Maioria dos incêndios ocorreram em áreas administradas pelo governo federal, afirma a Sema

Publicado em 03/06/2022 às 20h05
Amazonas tem maio com recorde histórico de queimadas, aponta Inpe
Foto: Reprodução

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Amazonas somou 81 focos ativos de queimadas em maio, maior número para o mês desde o início da série histórica, em 1998. Até então, o registro mais alto para o período havia sido de 51 focos de incêndio no ano 2000. 

Os 81 focos ativos de queimadas neste mês de maio representam um crescimento de 80% em comparação com o mesmo período de 2021, quando haviam sido registrados 45 focos. Porém, os percentuais do Amazonas não são uma exceção.

Em toda a Amazônia, foram 2.287 focos de queimadas em maio, quase o dobro (96%) do mesmo período de 2021, quando o número havia sido 1.166. Os incêndios preocupam porque a região está no final da estação chuvosa, quando a ocorrência desses fenômenos costumava ser menor. 

“Esses dados são um grande alerta porque, historicamente, maio não é um mês com recordes de queimadas. Estamos saindo do período chuvoso e indo para a seca, quando a região tem maior frequência de incêndios entre agosto e novembro”, aponta o geógrafo e diretor da organização WCS Brasil, Carlos Durigan.

Segundo ele, o recorde de incêndios ocorre por consequência do avanço do desmatamento na Amazônia e no Amazonas. Os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, apontam que, entre janeiro e maio deste ano, o desflorestamento no estado devastou uma área de 872,72 km², extensão maior que a cidade de Goiânia (728,84 km²). 

“Como temos visto nos últimos meses o aumento recorde de desmatamento, não é surpresa que agora, com o fim das chuvas, vejamos esse aumento também nas queimadas. Sabemos que os desmatadores primeiro derrubam a mata e depois esperam a área secar para então limpar o terreno com incêndios”, explica Durigan.

Áreas afetadas

Em nota, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-AM) destacou que, dos 81 focos de queimadas no estado em maio, 83% ocorreram em áreas da gestão federal, como terras indígenas (40 focos), glebas federais (12 focos), Unidades de Conservação Federal (11 focos) e assentamentos federais (5 focos).
Segundo a gestão estadual, o combate às queimadas e desmatamento tem se intensificado por meio da Operação Integrada Tamoiotatá II, que foca nos municípios ao sul do Amazonas, considerados áreas com alto registro de ilícitos ambientais.

“Os registros de focos de queimadas no Amazonas estiveram em queda por três meses consecutivos, com redução registrada nos meses de fevereiro (-45%), março (-12%) e abril (-17%)”, ressaltou a secretaria.

A pasta aponta ainda que, com a chegada do período de seca, o governo do Amazonas entregou, em abril, mais de R$ 1,7 milhão em equipamentos para a estruturação de brigadas em 12 municípios do interior. São eles: Apuí, Novo Aripuanã, Manicoré, Lábrea, Humaitá, Boca do Acre, Barreirinha, Parintins, Canutama, Boa Vista do Ramos, Maués e Nhamundá.

A reportagem procurou o Ministério do Meio Ambiente para entender o que pode explicar o aumento de queimadas em áreas da administração federal, bem como quais ações têm sido realizadas para minimizar esse fenômeno. Porém, não obtivemos retorno até o momento. 

Leia a nota completa:

O Governo do Amazonas informa que tem trabalhado, de forma prioritária, na otimização das estratégias para fortalecer as ações de combate ao desmatamento e às queimadas ilegais, em especial, por meio da Operação Integrada Tamoiotatá 2.

Com participação integrada de nove instituições do Estado, a força-tarefa teve início no dia 7 de março, com foco de atuação nos municípios ao sul do estado, considerados mais vulneráveis.

Os registros de focos de queimadas no Amazonas estiveram em queda por terceiro meses consecutivos, com redução registrada nos meses de fevereiro (-45%), março (-12%) e abril (-17%). Dos 81 focos registrados em maio, 83% ocorreram em área de gestão federal, entre terras indígenas (40 focos), glebs federais (12 focos), Unidades de Conservação Federal (11 focos) e assentamentos federais (5 focos). 

Com a aproximação do período de estiagem, o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), entregou, no final de abril, mais de R$1,7 milhões em equipamentos para estruturação de brigadas em 12 municípios do interior, entre eles Apuí, Novo Aripuanã, Manicoré, Lábrea, Humaitá, Boca do Acre, Barreirinha, Parintins, Canutama, Boa Vista do Ramos, Maués e Nhamundá.

Ao todo, 5.163 itens foram entregues – entre motosserras, abafadores, mochilas extintoras, sopradores, roçadeiras, Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e outros. Os materiais foram adquiridos com recursos provenientes do Banco Alemão de Desenvolvimento KfW, fruto de um contrato firmado com Governo do Estado, para execução do Projeto de Prevenção e Combate ao Desmatamento e Conservação da Floresta Tropical no Amazonas (Profloram).

O mesmo projeto prevê, ainda, de forma pioneira, a remuneração de mais de 150 brigadistas florestais, capacitados pelo Estado para reforçar o apoio aos Municípios. A previsão é que as bolsas comecem a ser ofertadas ainda no início deste semestre.