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A Crítica
Meio Ambiente

Governo recua da proposta de flexibilizar licença para garimpo no Amazonas

Novo titular da Sedecti, Pauderney Avelino, disse que discorda da proposta apresentada na gestão de seu antecessor, Angelus Figueira

Publicado em 19/02/2023 às 09h35 · Atualizado em 19/02/2023 às 09h55
Governo recua da proposta de flexibilizar licença para garimpo no Amazonas
Foto: Márcio Silva

O Governo do Amazonas recuou de uma proposta para desobrigar a apresentação de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima) nos pedidos de licenciamento para garimpo no estado. A questão estava sendo discutida no Conselho Estadual de Meio Ambiente desde outubro do ano passado e o parecer deveria ser publicado em março. 

O abandono da ideia foi confirmado para A CRÍTICA pelo novo titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência Tecnologia e Inovação (Sedecti), Pauderney Avelino. Foi a pasta que apresentou a proposta, quando ainda era chefiada por Angelus Figueira. 

“Na reunião desta sexta-feira do Conselho, eu mandei um ofício pedindo para retirar a proposta que havia sido apresentada pela Sedecti. Discordo daquela ideia e acho que precisamos encontrar uma maneira de fazer a exploração mineração do Amazonas diferente do que está sendo feito, hoje, na Amazônia”, disse Pauderney Avelino.

Entenda

O plano apresentado pelo então titular da Sedecti, Angelus Figueira, sugeria alterar a resolução n.º 11/2012, do Conselho Estadual, para desobrigar a apresentação de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) nos casos de licenciamento para garimpo.

Segundo o texto de justificativa que acompanhava a proposta, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), responsável por conceder as licenças, poderia optar por pedir apenas o Plano de Controle Ambiental (PCA), já previsto na resolução. 

Figueira cita o artigo 174 da Constituição Federal de 1988 para afirmar que o texto garante a promoção econômico-social dos garimpeiros. Segundo o terceiro parágrafo, “O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros”.

Para o ex-titular da Sedecti, a redação acima justificaria a flexibilização para as licenças ambientais. “A imposição ao garimpeiro cooperado e/ou hipossuficiente da obrigação de elaboração de EIA/Rima acabaria por inviabilizar a própria atividade econômica”, defendeu no texto.

A reportagem tenta contato com o ex-secretário da Sedecti. Quando ele se manifestar a matéria será atualizada.