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Meio Ambiente

Pesquisa da Eneva busca transformar frutos da Amazônia em diesel verde no Amazonas

Estudo de R$ 11,9 milhões avalia uso de buriti, açaí, cupuaçu, pupunha, patauá e piquiá na produção de combustível renovável

Publicado em 18/08/2026 às 16h16
Pesquisa da Eneva busca transformar frutos da Amazônia em diesel verde no Amazonas
Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

Oleaginosas amazônicas como o buriti, o açaí, cupuaçu, pupunha, patauá e piquiá, entre outras, estão no centro de uma pesquisa que tem como objetivo final produzir o diesel verde, também conhecido como HVO, sigla em inglês para Óleo Vegetal Hidrotratado, um combustível renovável quimicamente idêntico ao diesel de petróleo, mas que reduz drasticamente a emissão de gases poluentes.

A pesquisa motivou, na manhã desta terça-feira (18), a realização do workshop “Diesel Verde – Lançamento do Mapa do Hidrogênio de Baixo Carbono no Amazonas”.

Com investimento previsto estimado em R$ 11,9 milhões, o estudo faz parte do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica e é capitaneado pela empresa Eneva, com as parcerias estratégicas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Essenz Soluções e Instituto Senai de Inovação.

O Coordenador de Relações Institucionais da Eneva para a Região Norte, Márcio Lira, explicou que o estudo está pesquisando e analisando, o potencial da criação do diesel verde combustível a partir de oleaginosas amazônicas como o buriti, cupuaçu, açaí, algumas castanhas.

“Então, a partir dessas plantas ou frutos, que potencialmente tem um poder calorífico, energético, que pode ser tratado quimicamente de tal forma a gerar o diesel. Diesel esse que pode substituir, por exemplo, o diesel de rabeta, o diesel de empilhadeiras, o diesel de sistemas isolados de geração de energia no interior do Amazonas”, afirmou Márcio.


Márcio Lira, coordenador de Relações Institucionais da Eneva para a Região Norte (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)

Segundo ele, o estudo está em fase de pesquisa aplicada e estudo acadêmico aplicado com o investimento que a Eneva fez de P&DI (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação), de mais de R$ 11 milhões, na parceria com a UEA e com a UFAM.

“Como toda pesquisa, leva-se um tempo, se faz muito campo, se faz muita análise laboratorial, se faz muita teoria, é importante ter isso tudo evidenciado em artigos, em estudos, para que fique consagrado nos anais da academia. Então, o momento agora é de pesquisa para, no futuro, esse potencial sendo comprovado, se aplicar na prática”, explicou.

Hidrogênio de baixo carbono

O Coordenador de Relações Institucionais da Eneva para a Região Norte esclareceu que, a partir do estudo do potencial das oleaginosas para o diesel verde, se descobriu também a necessidade de insumos para o hidrogênio, que é essencial para a fabricação do diesel verde. 

“O hidrogênio verde também é uma pesquisa que está muito amplamente discutida no mundo, no Brasil um pouco mais recente. Mas aqui no nosso caso, esse hidrogênio com baixa emissão de carbono, que é o nome oficial, tem grande potencial no interior do Amazonas. E ele também tem o potencial aplicado para a indústria, o comércio, para a geração também de energia de baixa emissão”, declarou. 


O projeto Diesel Verde trata sobre diversificação da matriz energética, desenvolvimento socioeconômico local, exploração consciente da biodiversidade amazônica, está contribuindo diretamente para a transição energética nacional. (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)

Daí que o workshop realizado teve como um de seus principais motes o lançamento do Mapa do Hidrogênio de Baixo Carbono no Amazonas. “Ele é um produto dessa pesquisa que está sendo apresentada. É um mapa, literalmente, um mapa, onde se apresenta, ao longo do estado do Amazonas, locais com maior potencial para o hidrogênio de baixa emissão”, falou Márcio Lira.

Desenvolvimento socioeconômico

A gerente técnica do projeto Diesel Verde, Mariana Ferreira, explicou que, além da diversificação da matriz energética, o projeto traz uma questão muito interessante e institucional, que é a exploração consciente da biodiversidade amazônica. 

“Esse projeto visa ao desenvolvimento socioeconômico local. Então, por exemplo, nós identificamos que diversos agricultores já possuem um manejo de SAFs, que são os Sistemas Agroflorestais. E por que não utilizar esses agricultores, que hoje já existem, para produzir essas oleaginosas e assim conseguir gerar mais valor para eles, rentabilizar de fato, criar um novo modelo de negócio”, explicou Mariana. 


Mariana Ferreira, gerente técnica do projeto Diesel Verde (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)

“Não substituir, mas criar um novo modelo de negócio, até porque a gente sabe que diversos desses agricultores já têm parcerias, já participam de programas com, por exemplo, indústrias de cosmético, então a gente não está falando sobre substituir o que já existe, mas do projeto trazer e agregar um valor para a comunidade local”, afirmou. 

Mariana esclareceu que quando o projeto Diesel Verde trata sobre diversificação da matriz energética, desenvolvimento socioeconômico local, exploração consciente da biodiversidade amazônica, está contribuindo diretamente para a transição energética nacional. 

“E aí, falando sobre desenvolvimento regional, o projeto visa a melhoria das condições socioeconômicas das comunidades locais. Então, a ideia desse projeto é criar um plano de desenvolvimento local, que vai ter o mapeamento das agentes locais, a imersão no ecossistema, criação de iniciativas, treinamento prático, desenho de modelos de negócios, workshops e as suas comunidades”, declarou. 

Segundo a gerente técnica, esse plano de desenvolvimento local, transforma o diagnóstico em planejamento de projetos que sejam aderentes à realidade das comunidades. “Então, aqui a gente está falando sobre transformar a sociobiodiversidade em, de fato, comunidades concretas que têm esse valor retido para as comunidades locais e principalmente, também, para a conservação ambiental.”