Manaus dom, 1 nov
A Crítica
Meio Ambiente

Seleção para participar das viagens do projeto de turismo comunitário é criteriosa

Filtro de perfis é feito para respeitar as definições dos ribeirinhos, que gostam do intercâmbio e fazem um chamado especial a novos visitantes

Publicado em 03/11/2018 às 04h24 · Atualizado em 19/09/2026 às 05h34
Seleção para participar das viagens do projeto de turismo comunitário é criteriosa
Foto: Yan Boechat

A seleção dos visitantes das expedições do projeto de turismo de base comunitária em Terras Indígenas do Rio Negro “Serras Guerreiras de Tapuruquara” é criteriosa. A coordenadora da ONG Garupa, Paula Arantes, explicou que é necessário balizar as expectativas dos interessados em participar da expedição.  

“Tomamos o cuidado de mostrar que ali eles não iriam ver indígena nu, por exemplo. E a escolha das pessoas foi muito em função das definições dos próprios ribeirinhos”, disse Paula.

“Eles tinham a insegurança de ‘ah, se um cara solteiro vem e se engraça com as meninas’, ou se tem algum tipo de violência, o que eles não têm por ali. Então, a gente fez um questionário, buscando muitas referências das pessoas interessadas e, com muitas, fiquei mais de uma hora conversando por telefone”, contou.


Recepção dos comunitários de Aruti (Foto: Arnaldo Franken)

O preço, disse ela, ficou dentro do mercado, cerca de R$ 5 mil por pessoa, que é mais ou menos o que é cobrado para outros roteiros de turismo comunitário e os valores que são pagos às comunidades pelos serviços, como hospedagem, guia e alimentação, também são similares.

A avaliação dela e da antropóloga Camila Barra, do ISA, é que o projeto deu certo, e que os ajustes são necessários e naturais. A expedição teste serviu para isso.

Os indígenas também aprovaram o trabalho. “Eu tenho gostado muito. Estamos conhecendo pessoas diferentes. Acho que veio para ficar”, disse Janilson Manoel Rodrigues, 37.

“Eu nunca tinha ouvido falar do ecoturismo, muita gente não queria porque não sabia como era, pensava que era para maltratar animais, mas depois explicaram e viram que era bom”, disse. “É uma troca muito boa, você aprende palavras novas, eu sou muito curioso, e ensina também”, contou. Se dependesse dele, contou sorrindo, ficaria direto como guia, mas tem que dar espaço ao outros, reconheceu.


Um dos alojamentos para receber os turistas. Há água mineral e energia nas comunidades para recarregar aparelhos (Foto: Arnaldo Franken)

O professor Alessandro Cruz, 28, vice-presidente da Acir, fez um convite para quem quiser conhecer a região: “Aqui as pessoas já acordam sorrindo e vão dormir sorrindo. Aqui não tem tristeza. Quem vier conhecer vai sair mais animado, mais alegre do que veio e fortalecido para enfrentar o dia dia da cidade, volta renovado, do zero, com força extra para enfrentar um cotidiano que é bem diferente do nosso”, ressaltou.


Todo visitante deixa um relato aos comunitários sobre os dias que passaram ali (Foto: Luciano Falbo)

As afirmações de Alessandro podem ser comprovadas nos recados que os visitantes deixam em um caderno (cada comunidade tem o seu), assim como os relatos dos visitantes do roteiro do qual A Crítica participou: a experiência humana é o mais marcante da expedição.

Saiba mais

O site do projeto, http://www.serrasdetapuruquara.org, tem todos os detalhes e o questionário para se inscrever na seleção para participar das expedições. Nele também há detalhes dos roteiros, datas e preços, além de outras fotos da região a ser visitada.


s fins de tarde oferecem um espetáculo diário de cores (Foto: Yan Boechat)

Confira as outras reportagens da série:

1 – Turismo comunitário revela lado pouco conhecido da Amazônia no Rio Negro

2 – Projeto turístico em Terras Indígenas pioneiro estimula o resgate cultural

3 – Turismo comunitário no Rio Negro é uma iniciativa dos próprios ribeirinhos

4 – Expedição a comunidades do Rio Negro é uma experiência humana profunda

5 – Seleção para participar das viagens do projeto de turismo comunitário é criteriosa