Soluções sustentáveis na Amazônia exportadas para o mundo ver
Rede lançada pela Fundação Amazonas Sustentável tem como objetivo divulgar os bons exemplos de respeito ao meio ambiente
A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) lançou nesta semana a primeira Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia (SDSN-Amazônia). Segundo o superintendente geral da FAS, Virgilio Viana, essa é a primeira rede criada fora da Organização das Nações Unidas (ONU) e representa uma oportunidade de a Amazônia apresentar experiências de sustentabilidade que dão certo.
De acordo com o Virgilio Viana o objetivo principal da rede é identificar soluções e disseminar ações de desenvolvimento sustentável dos países da Amazônia Central para regiões em desenvolvimento com desafios parecidos da Amazônia, como na bacia do Congo, Indonésia e Vietnã.
Para Virgilio Viana, o mundo vive a maior crise de sustentabilidade de todos os tempos, pois não foi possível avançar na velocidade e na magnitude necessária para mudar o rumo do processo civilizatório.
De acordo com o presidente a seqüência de eventos extremos que vem acontecendo como a seca em São Paulo e na Florida, a enchente em municípios que há 50 anos não registravam eventos nessa proporção é sintoma de que o planeta está sofrendo, e, portanto precisa de uma ação rápida e efetivamente eficiente. “Quem vai sofrer não são os nossos bisnetos, mas nós mesmos. Essas mudanças não estão longe de acontecer”, disse o superintendente.
Os dados coletados pelos pesquisadores das 21 instituições envolvidas na rede ficarão disponíveis em uma plataforma da internet e informará políticos com base em evidências técnicas e científicas sobre questões prioridades como as altas temperaturas, que geram a seca, falta de água e até de energia, ou as fortes chuvas, que ocasionam as enchentes.
Segundo o conselheiro do secretario geral da ONU, Jeffrey Sachs, a Amazônia tem um papel primordial no processo de sustentabilidade do mundo. “A região amazônica pode ser muito útil para mostrar soluções para o mundo, pois quando se falar em sustentabilidade é preciso lembrar do Brasil”, acrescentou Jeffrey Sachs.
A criação da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia foi proposta pelo superintendente da FAS e segue o mesmo formato da rede criada pela ONU na qual Jeffrey Sachs, um economista, é líder.
Outro modelo
Para o superintendente da FAS, Virgilio Viana, o mundo não precisa parar de desenvolver, mas sim mudar o modelo de desenvolvimento atual, pois 80% dos peixes do oceano já desapareceram ou estão em vias de desaparecer, portanto isso é um indicador do que está acontecendo com o mundo de forma geral.
Emprego e renda
Ainda de acordo com Virgilio Viana é possível gerar emprego e renda com fartura de uma maneira que seja possível preservar os limites ecológicos e o futuro da humanidade.
A rede de soluções servirá por exemplo, para a trocar de informações como Peru e Colômbia que tem realidades parecidas com o Brasil. A Amazônia pode trocar informações sobre o manejo do pirarucu, assim como a Colômbia que tem tecnologias mais avançadas no manejo da castanha pode ajudar o Brasil a gerar renda.
Blog: Jeffrey Sachs, economista
“Fazemos parte do meio ambiente e até agora o ser humano utilizou e abusou disso sem preservar nada. As conseqüências são as grandes secas que o Brasil sofre, que a Califórnia sofre. É preciso combinar prosperidade com desenvolvimento. Duas coisas que o Brasil realiza e podem ser exemplo são as matrizes de baixo carbono, como a matriz energética de hidroeletricidade. Além disso o imenso esforço que o país fez para diminuir o desmatamento é um grande exemplo de como pensar nas necessidades das populações sem degradar. Há anos líderes mundiais discutem sobre sustentabilidade, isso aconteceu na conferência Eco 92, na Rio Plus, mas somente a partir da Rio +20 foi que se começou a traçar uma realidade em que é possível enxergar a boa vontade dos líderes. Até então os países não se sentiam responsáveis para conseguir cumprir os objetivos propostos em todas essas reuniões. Ainda há muito a ser feito, porém as negociações avançam para um caminho em que vai ser possível garantir comida para as populações mais pobres, gerar renda sem destruir o planeta com ações abusivas”.