Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
A TEMPO

Vitória Régia fecha desfile com emoção em todos os sentidos

A emoção dos familiares do homenageado, Wernher Botelho, se misturou à tensão por problema no último carro, mas escola saiu a tempo



WhatsApp_Image_2020-02-23_at_05.57.41_AFBAB946-FF22-4306-82EB-5BCC741AF5B1.jpeg (Foto: Paulo André Nunes)
23/02/2020 às 06:02

O diretor de Carnaval da Vitória Régia, Fabrício Nascimento, analisou que o desfile foi com o jeito da agremiação: com emoção! A Verde e Rosa terminou sua apresentação cravando o tempo de 1h09min04s.

“Na Vitória Régia é assim: sempre com verdadeira emoção. Agora é só esperar as notas de segunda-feira pois estamos muito felizes”, destaca ele.



Sobre a homenagem da escola de samba para o “Mago das Penas" Wernher Botelho, Fabrício Nascimento lembrou da amizade com o artista. “Wernher era nosso amigo, querido, e esse desfile foi uma verdadeira emoção”, explicou o diretor de Carnaval.

Ele comentou que o último carro alegórico, que apresentou problemas, atrapalhou realmente o andamento da escola de samba, mas “felizmente conseguimos sair a tempo para não perder pontos”.

A carnavalesca da Vitória Régia, Islene Botelho, não vai esquecer essa madrugada de domingo. Criadora do enredo que homenageou seu irmão, Wernher Botelho, ela desceu do carro alegórico com familiares, com sentimento de dever cumprido, sob aplausos, emocionada.


“Estou super feliz pois me senti realizada por homenagear meu irmão em pleno Carnaval, festa que ele tanto gostava. Por escrever a história sobre a vida do meu irmão. Isso pra mim foi a glória, saber que eu levei o nome dela pra avenida, pra todo mundo conhecer quem ele era, o abuso que era o Mago das Penas”, contou ela, a primeira carnavalesca da história de Manaus, agradecendo a Vitória Régia pela oportunidade.

“Meu irmão era um homem íntegro e esse enredo entrou para a história. Eu acho que a Vitória Régia fez um grande desfile, mas passou por dificuldades financeiras. No entanto, onde fomos buscar apoio às portas se abriram pois o Wernher era um ser iluminado”, completa a funcionária pública.

A APRESENTAÇÃO

A Vitória Régia cumpriu o prometido: o desfile em homenagem ao “Mago das Penas", artista falecido Wernher Botelho, encheu de cores, luzes e muita emoção a pista do Sambódromo, na Zona Centro-Oeste, na madrugada deste domingo (23), pelo Grupo Especial de Manaus.

Com o enredo “Wernher Botelho é coisa nossa! O abuso é verde e rosa”, a escola de samba desfilou com quatro setores, quatro alegorias e 30 alas para 3 mil brincantes verde e rosa.

A Comissão de Frente da Vitória Régia levou um nome singular: “O Contato de Um Menino com a Natureza e seu Encantamento ao ver a Floração da Vitória Régia”. Nela, 14 bailarinos vestidos de pétalas de flores se transformaram na flor da Vitória-Régia (planta aquática de nossa região), símbolo da escola, e uma criança. O ponto alto foi em cima de uma plataforma verde decorada, e as flores nas nuances rosa, lilás e laranja, com movimentos manuais, num sincronismo igual, onde os elementos se transformaram na flor da Vitória-Régia, e o surgimento do menino Wernher Botelho deslumbrado com a floração. Estava representado o contato fascinante da criança com a natureza bela e esplendorosa. Wernher era um amante da natureza, principalmente da flora amazônica, e, segundo quem o conhecia, aproveitava tudo que a mata podia fornecer e transformava em verdadeiras obras de arte. 

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gleydson Lessa e Anik Sena, encarnou o Pierrô e a Colombina, simbolizando “quando o teatro encontra o circo”. A mais conhecida história de amor de Carnaval tem sua origem em terras além-mar. Pierrot, Colombina e Arlequim são crias do estilo teatral Commedia Dell Arte, nascido na Itália do século 16 e que tinha como objetivo levar o teatro para todos, com muita improvisação e sátira social. Pierrô que amava Colombina, que por sua vez amava Arlequim e que, como bom amante, também desejava Colombina.

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O carro abre-alas simbolizou “O Contador de Histórias” e representou a imaginação de Wernher Botelho como contador de histórias, que sempre fazia um paralelo entre o mundo real e a fantasia. “Através dessa análise ele conseguia ver a vida passar em uma tela enorme em sua frente, um roteiro da nossa realidade que toca em nossas emoções dando vozes aos sentimentos. Ele adorava contar as suas histórias aos sobrinhos e filhos de amigos”, relata a sinopse do enredo.

A interessante perspectiva de Wernher era a criação de cenas imaginárias, as quais muitas delas marcaram a vida dele quando criança na avenida Ayrão na Praça 14, sempre narrada pela ficção relatando a inocência e a imaginação fértil a ponto de mudar a realidade cruel de seus personagens.

Tendo à frente a Madrinha Thuany Christiane, a Bateria Berço do Samba da Verde e Rosa veio com 250 ritmistas encarnando “Os Cabras do Capitão Virgulino”, uma das danças folclóricas da Praça 14 de Janeiro, bairro da Vitória Régia, na Zona Centro-Sul de Manaus.

O segundo carro alegórico foi “O Abuso e a Ousadia do Mago das Penas Fazendo História na Arte e no Folclore". Ele trouxe a cabeça gigantesca de um índio, como símbolo do amor de Wernher pela arte, folclore e a cultura de sua terra, além de outros dois símbolos da arte do Amazonas: as esculturas dos bois Garantido e Caprichoso.

A alegoria representa que Wernher queria alçar novos voos e foi em busca de aprender mais, e assim mostrar o seu talento; conviveu com grandes mestres e personalidades do Carnaval brasileiro. Seu talento foi reconhecido de imediato e fez sucesso no eixo Rio-São Paulo até sua volta pra Manaus, onde viveu todo o sucesso, reconhecido mundialmente por meio de sua arte com as penas.

O terceiro carro alegórico representou “O Ateliê Wernher Botelho”, onde trabalhava com sementes e penas. O estilo atravessou oceanos, e tinha  como modelos, misses e promoters de eventos na alegoria. Era o cenário de sua vida, o reconhecimento dos trabalhos. Ao escolher o estilo artístico, Wernher nos apresenta uma grande lição de vida: “Não somos o que temos, somos o que guardamos dentro de nós, somos o que podemos contribuir para um mundo”, dizia ele.

O 4° e último carro alegórico foi “Wernher Botelho! Uma Estrela que Brilha no Céu",  com os familiares do artista, entre eles a irmã e carnavalesca Islene Botelho. Lembrando todas as instituições que o artista adotou ao longo da vida. Acreditando que a bondade estava nos olhos de quem vê e não no coração de quem faz, dedicando grande parte de sua vida tentando sempre ajudar alguma instituição por ele adotada. Fazendo o bem indistintamente, sem nunca olhar a quem, seja aos ricos, aos pobres, às crianças, aos velhos, aos parentes, aos amigos e até mesmo a estranhos. A agremiação finalizou o desfile com o  tempo de 1h09min04

Repórter de A Crítica

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