Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
DECISÃO

Médico acusado de mutilar mulheres no Amazonas tem registro cassado pelo CFM

Carlos Jorge Cury Mansilla atuou em Manaus, em Rondônia e em Goiás. Ele fazia cirurgias plásticas sem a especialização necessária para atuar na área



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Médico chegou a ser detido em 2013 e indiciado por lesão corporal grave, danos estéticos e materiais. Foto: Arquivo AC
30/01/2017 às 11:15

O médico Carlos Jorge Cury Mansilla, acusado de mutilar mulheres de Manaus e Rondônia durantes cirurgias plásticas realizadas sem autorização, teve o registro de médico cassado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Com isso, ele não pode mais atuar no Brasil.

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do órgão. O processo de cassação do registro do médico foi apreciado na sessão plenária que começou na última sexta-feira e terminou somente no sábado.

O médico é acusado de fazer vítimas tanto no Amazonas quanto em Rondônia, e também já atuou em Goiás.  Com a decisão, ele não pode mais exercer a medicina no Brasil. O presidente do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), José Bernardes Sobrinho, disse que o registro dele no Amazonas foi cassado no ano passado, e a partir de então o caso seguiu para o CFM.

“Já tínhamos cassado o registro dele aqui no Amazonas. Depois o caso dele foi encaminhado ao conselho federal, e saiu essa decisão de cassação definitiva. Agora ele não pode atuar em nenhuma área do Brasil. Talvez ele volte para a Bolívia, onde supostamente ele se formou. Ele estava atuando em Rondônia”, comentou ele.

De acordo com a professora da Universidade Federal de Rondônia e presidente do grupo Vítimas Unidas, Maria do Carmo dos Santos, o médico continuava atuando no município de Guajará-Mirim, interior de Rondônia.

“Somos um grupo de mais de mil pessoas. O Grupo Vítimas do Amazonas faz parte do Vítimas Unidas. Esperamos que ele responda pelos mais de 17 processos na esfera cível e criminal. A gravidade do que ele fez não pode ficar impune para essas mulheres”, declarou a presidente da ONG.

Ainda segundo ela, o caso foi levado à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia. “Solicitamos a mesma criação de um Comitê de Vítimas”, completou.

Em entrevista ao Portal A Crítica, o advogado de Carlos, Christhian Naranjo, informou que pretende recorrer da decisão na Justiça, uma vez que a decisão administrativa é definitiva. “Ainda não consegui falar com ele. Apenas com a sua filha. Ele tomou ciência do que aconteceu parcialmente. Devemos com certeza recorrer da decisão. É claro que não tem como entramos com um recurso de forma administrativa, mas vamos fazer isso na parte da Justiça. Vamos encontrar um erro nesse processo”, comentou Christhian.

Segundo o advogado, muitas situações erradas e diferentes envolvem a cassação do registro de Carlos. “O que aconteceu foram situações diversas. Acusaram ele de ter cometido erros médicos, mas o próprio delegado chegou a conclusão de que muitos pacientes não realizaram depois das cirurgias os procedimentos médicos ordenados. Um dia ele marcava para tirar o curativo, e a paciente viajava. Foram várias situações. Não podem julgar ele por isso”, disse

Entenda o caso

O médico Carlos Jorge Cury Mansilla, acusado por pelo menos 20 pacientes de erro médico durante cirurgias plásticas, foi indiciado em 2013 pela Polícia Civil. Os casos começaram a surgir após denúncias em redes sociais contra o médico.  Na ocasião, o médico foi indiciado por lesão corporal grave, danos estéticos e materiais.

Em junho de 2013, o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM) informou que Carlos Cury não possui autorização para exercer a função de cirurgião plástico, já que seu curso da especialidade, feito na Bolívia, não é reconhecido no Brasil. Em setembro daquele ano, Carlos Cury foi interditado pelo Conselho Federal de Medicina no que se refere ao exercício da Medicina em todo o país e chegou a ser excluído do programa “Mais Médicos”.


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