Domingo, 19 de Maio de 2019
CRIME AMBIENTAL

Quase 25 mil litros de camada asfáltica vazam e contaminam o Rio Negro

O derramamento, equivalente a 30 toneladas, atingiu primeiro a via pública e depois foi escorrendo até chegar a uma área de floresta e às margens do rio, na orla Oeste de Manaus. O líquido tem alta capacidade de adesão e impermeabilização



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Foto: Junio Matos
31/03/2019 às 14:25

Quase 25 mil litros, o equivalente a 30 toneladas, de camada asfáltica, mais conhecida como piche, vazaram de um caminhão-tanque da empresa Transbetuminosa, na madrugada desde domingo (31), em Manaus, atingiram parte da rua Agostinho Caballero Martin, no bairro de São Raimundo, Zona Oeste, e, o mais grave, contaminou uma área de floresta e as águas do Rio Negro nas imediações do porto das balsas do São Raimundo.

O piche é o asfalto em estado líquido resultante da destilação do alcatrão ou petróleo e, entre suas propriedades, está a alta capacidade de adesão e impermeabilização, já que repele a água.

O Batalhão de Policiamento Ambiental da Polícia Militar, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e o Ibama foram até o local do vazamento. A área foi isolada por agentes da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU).

O vazamento atingiu primeiramente a via pública e depois foi escorrendo para a galeria fluvial até chegar às águas do Rio Negro. A parte mais prejudicada é a que concentra embarcações da Náutica Velho Artur, nas proximidades da Câmara Municipal de Manaus.

O órgão ambiental Ipaam deslocou uma equipe técnica para avaliar o impacto do derramamento da emulsão asfáltica. Entretanto, segundo o chefe da Gerência de Fiscalização (Gefa) do Ipaam, Hermógenes Rabelo, o incidente é considerado crime ambiental gravíssimo.

“O vazamento foi a partir da válvula de contenção de segurança do caminhão-tanque que estava estacionado irregularmente na via. As consequências são gravíssimas para o meio ambiente. É um material derivado de petróleo com toxicidade é altíssima e quem mais vai sofrer é a biota aquática, principalmente os peixes, plânctons, fitoplanctons, como também a floresta adjacente que foi afetada. A empresa responsável vai realizar a retirada do produto e sofrer todos os procedimentos medidas administrativas cabíveis para que isso não volte acontecer”, disse Rabelo.

Representantes da empresa Transbetume Comércio e Transporte de Betumes Ltda., que tem sede em Santarém, no Pará, e que não quiseram se identificar à reportagem, afirmaram que o vazamento ocorreu em virtude do furto da válvula de segurança.

Dependendo da dimensão do impacto ambiental, a Transbetuminosa pode ser autuada em até R$ 500 mil, informou o Ipaam.

Outro vazamento

Há sete meses, em agosto de 2018, outro vazamento atingiu o Rio Negro, desta vez de óleo diesel na orla Leste da cidade, pelo Porto da Ceasa, no bairro Mauazinho. O derramamento alcançou uma extensão de cinco quilômetros do Porto da Ceasa até  as proximidades da estação de captação e distribuição de água do Programa Águas para Manaus (Proama). O vazamento ocorreu depois que um barco pertencente ao grupo Chibatão naufragou na região.


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