Cheiro de pizza na Câmara
Um mês após um vereador ser preso sob a acusação de “rachadinha”, com cifras milionárias escondidas em cofres, a Mesa Diretora da Casa segue indiferente ao escândalo
Na política, o silêncio nunca é acaso. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), virou falta de vergonha. Um mês após um vereador ser preso sob a acusação de “rachadinha”, com cifras milionárias escondidas em cofres, a Mesa Diretora da Casa segue indiferente ao escândalo – nem demonstrou constrangimento nem acionou a Comissão de Ética. Para completar, um requerimento que pedia explicações sobre a abertura de uma comissão processante foi derrubado em plenário.
Inércia – Ainda no dia 6 de outubro, três dias depois da prisão do vereador Rosinaldo Bual por “rachadinha”, o Comitê Amazonas de Combate à Corrupção foi à Câmara e pediu da Mesa Diretora da Casa a abertura de processo para investigar a conduta do parlamentar. De lá para cá, o comando da CMM silenciou.
Pressão – Com base no pedido do Comitê, o vereador Rodrigo Guedes (Republicanos), em tom de provocação, encomendou uma pizza e, com ela nas mãos, questionou a direção da Casa, ontem, sobre a abertura do processo. O pedido de explicações foi feito pelo vereador por meio de um requerimento formal – e derrubado pela maioria do plenário.
Minoria – Votaram a favor apenas os vereadores Rodrigo Sá, Saimon Bessa, Coronel Rosses, Carpe Andrade, Sargento Salazar, José Ricardo, Amauri Gomes, Diego Afonso, Ivo Neto, Paulo Tyrone, além do próprio Rodrigo Guedes.
Varredura – A Polícia Federal iniciou um pente-fino para verificar emendas apresentadas por 92 políticos no Congresso, após ordem do ministro Flávio Dino. A análise pode abrir novos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são da Folha de S.Paulo.
Liderança – No total, o TCU identificou 148 emendas irregulares no país, somando R$ 85 milhões, de parlamentares de 15 estados. O Amazonas aparece no topo do levantamento em emendas de parlamentares sem plano de trabalho registrado – exigência determinada pelo STF.
Recursos – O ex-deputado Bosco Saraiva, hoje superintendente da Suframa, foi quem mais destinou recursos sem plano de execução, segundo o TCU: R$ 7,9 milhões para Maués, Itamarati e Santo Antônio do Içá.
Defesa – “Entrei em contato com os destinatários para que tomassem as providências cabíveis no sentido de sanar as pendências relativas a essas prestações de contas e recebi a informação da parte destes entes de que tais providências estavam em andamento”, disse Bosco à reportagem.
Mordomia – Acredite. Em Nova Olinda do Norte, uma lei autoriza ex-prefeitos a ter até seis servidores pagos pela prefeitura – quatro assessores e dois seguranças – para atender interesses particulares após o fim do mandato. Para o MP, a regalia pode configurar improbidade administrativa.
Prazo – O MP recomendou que a prefeita Araci Cunha (MDB) suspenda a lei e declare sua nulidade, alertando que usar guardas municipais como seguranças pessoais é desvio de função e fere os princípios de moralidade e impessoalidade. A gestão tem cinco dias para responder. O descumprimento pode resultar em ação por improbidade.