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A Crítica
Economia

AmidoMato vence chamada da AMAZ com farinha de babaçu

Startup que desenvolve derivados da farinha de babaçu foi a única selecionada na Chamada de Negócios de 2025

Publicado em 28/06/2026 às 16h03
Vista frontal de uma esteira industrial transportando frutos de babaçu em uma unidade de processamento. Os frutos seguem por um equipamento metálico sob uma estrutura de captação, em ambiente fabril, durante uma etapa do beneficiamento para produção de farinha de mesocarpo.
Foto: Divulgação/Idesam

A AmidoMato, startup dedicada à padronização e ao desenvolvimento de derivados da farinha de babaçu para a indústria de alimentos, é a vencedora da Chamada de Negócios 2025 da AMAZ e passa a integrar o portfólio da aceleradora de impacto coordenada pelo Idesam.

A seleção marca o encerramento de um ciclo de cinco anos de investimentos e apoio aos empreendimentos inovadores voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Neste ano, a aceleradora não vai promover nova Chamada de Negócios.

A entrada da AMAZ complementa a rodada de captação de capital semente da AmidoMato, destinada à consolidação de seu processo produtivo e à expansão da base de clientes. Fundada em 2024, a startup captou R$ 2 milhões em uma rodada que reuniu três importantes investidores: Grão Venture Capital, sócia-fundadora do negócio; RG Futures, frente de investimentos em inovação alimentar da RG Think Food; e Abunã, braço de investimento dos empresários Ilana e Denis Minev voltado às iniciativas na Amazônia.

Além do aporte financeiro, a AmidoMato conta com parceiros estratégicos que fortalecem sua atuação no mercado. Entre eles estão a Griffith Foods, multinacional do setor alimentício com a qual a startup firmou seu primeiro grande contrato de fornecimento, e a EBS, empresa especializada em tecnologia industrial para amidos e farinhas.

A empresa foi fundada por Eduardo Roxo, biólogo, mestre em Ecologia e Agronegócios e empreendedor com ampla trajetória em negócios da sociobiodiversidade amazônica. Cofundador da Atina, Mombora e Painel da Floresta, Roxo trabalha com a cadeia do babaçu desde 2007, quando participou do desenvolvimento da farinha do mesocarpo de babaçu para aplicação na indústria cosmética.

A AmidoMato busca transformar a farinha do mesocarpo de babaçu em um ingrediente competitivo frente a commodities amplamente utilizadas pela indústria, como trigo, milho, arroz e mandioca. A proposta é conectar a abundante oferta de matéria-prima existente na Amazônia e no Meio-Norte brasileiro à crescente demanda global por farinhas, amidos e ingredientes funcionais.

Gargalos históricos

A startup atua diretamente sobre gargalos históricos da cadeia produtiva do babaçu, palmeira que ocupa cerca de 15 milhões de hectares entre a Bolívia e o Nordeste brasileiro. Tradicionalmente voltada para a extração de óleo das amêndoas, a cadeia pouco aproveita o mesocarpo do fruto, que costuma se deteriorar rapidamente após sua queda no solo.

Entre os principais desafios enfrentados pelo setor estão a irregularidade na oferta da matéria-prima, a contaminação decorrente da coleta tradicional e a falta de padronização de características essenciais para a indústria, como granulometria, coloração, teor de fibras e desempenho técnico.

“Nosso objetivo é tornar a farinha de babaçu um produto seguro, competitivo e disponível, uma nova opção no mundo das farinhas, que não se limite ao nicho de produtos da floresta”, afirma Eduardo Roxo, fundador da AmidoMato. “Buscamos entregar para a indústria um produto padronizado, de alta qualidade nutricional.”

Ao integrar o portfólio da AMAZ, a AmidoMato fortalece sua estratégia de crescimento e amplia sua capacidade de gerar impacto socioambiental positivo, contribuindo para a valorização de cadeias produtivas da sociobiodiversidade amazônica e para a criação de novas oportunidades econômicas a partir da floresta em pé.

O papel da AMAZ no avanço de negócios de impacto na Amazônia

Em 2018, o Idesam começou a atuar com o fortalecimento de negócios de impacto, por meio do Programa de Aceleração. De 2018 até 2020 foram acelerados 30 negócios e 12 receberam investimos. Com o amadurecimento do programa veio a aceleradora, assim em 2021, a AMAZ foi criada e há cinco anos se dedica a selecionar e acelerar negócios nascentes que forneçam soluções de impacto para o contexto da Amazônia.

Nestes anos, a aceleradora acumula aprendizados e hoje é referência no ecossistema de negócios de impacto com números expressivos como; 500 startups avaliadas, 52 aceleradas e 29 investidas, das quais 16 se mantém ativas no portfólio de negócios.

“Em 2026 fechamos o ciclo do primeiro fundo da AMAZ. Nosso portfólio reflete a diversidade de soluções necessárias à bioeconomia amazônica: restauração florestal, inovação em ingredientes e produtos, soluções financeiras e logísticas. Nos próximos 5 anos vamos consolidar aprendizados, multiplicar mecanismos de apoio e fortalecer os negócios investidos”, avalia Gabriela Souza, Líder de Novos Negócios do Idesam e gestora de operações da AMAZ.