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A Crítica
Economia

Ataques DDoS disparam 1.286% em todo o mundo

Brasil registrou crescimento, com 487.415 ataques de alta capacidade no primeiro semestre

Publicado em 01/11/2026 às 16h45
Ataques DDoS disparam 1.286% em todo o mundo
Ataques DDoS disparam em todo o mundo Foto: Reprodução/Pixabay

Mais de 9,1 milhões de ataques de negação de serviço distribuída (DDoS) foram registrados no mundo entre janeiro e junho de 2026, segundo o novo relatório da NETSCOUT® SYSTEMS, INC. (NASDAQ: NTCT). O Relatório de Inteligência sobre Ameaças DDoS do primeiro semestre de 2026 aponta mudança significativa na forma como esses ataques são lançados e originados e indica que o risco cresce em três frentes: o volume de tráfego que precisa ser inspecionado, o número de locais onde a mitigação deve ser implementada e a proporção de ataques que interrompem serviços sem nunca saturar um link.

“O aumento de 1.286% nos ataques que ultrapassam 1 Tbps ou 1 Gpps significa que incidentes de alta capacidade já não são anomalias; são rotineiros”, declarou Hardik Modi, Vice-Presidente de Engenharia, Soluções DDoS e Equipe de Inteligência de Ameaças ASERT da NETSCOUT. “Com a proliferação de proxies residenciais e ataques de curta duração baseados em taxa de tráfego provenientes de plataformas DDoS de aluguel (DDoS-for-hire) sob demanda, os controles de rede genéricos e tradicionais tornaram-se insuficientes. Tanto os provedores como as organizações necessitam de mitigação seletiva e mais precisa, bem como de maior capacidade de filtragem (scrubbing) nas extremidades da rede para combater estas mudanças qualitativas na sofisticação dos ataques”.

Ataques no Brasil

O Brasil continua sendo alvo expressivo para ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) na América Latina. De acordo com o relatório, o país registrou 487.415 ataques entre janeiro e junho de 2026 – comparando com o segundo semestre de 2025 o país registrou 470.677 ataques entre julho e dezembro. Um aumento de 3,56%.

A duração média desses ataques no período foi de 59,31 minutos. O volume coloca o Brasil no centro do mapa regional de ameaças cibernéticas, refletindo tanto a dimensão de sua infraestrutura digital quanto a atratividade do mercado para grupos de ataque.

Setores mais visados

O levantamento mostra que as empresas de telecomunicações sem fio (exceto satélite) foram o principal alvo no país, aparecendo em 1º lugar no top 10, concentrando 141.400 ataques. Em 2º lugar, aparecem os provedores de infraestrutura de computação e serviços de hospedagem na web, com 50.499 incidentes, e em 3º as operadoras de telecomunicações com fio, que registraram 27.967 ataques.

Outros segmentos também figuram entre os dez mais atingidos, evidenciando a diversidade de alvos das campanhas de DDoS no primeiro semestre de 2026:

  • Outras empresas de telecomunicações – 5.656 ataques
  • Bancos comerciais – 4.235 ataques
  • Restaurantes de serviço completo – 3.206 ataques
  • Serviços de consultoria em distribuição física e logística – 2.581 ataques
  • Varejistas de brinquedos e passatempos – 2.289 ataques
  • Comércio atacadista de equipamentos para escritório – 2.116 ataques
  • Transporte rodoviário de cargas – 1.863 ataques

Vetores mais utilizados

A análise também identificou a frequência dos principais vetores empregados pelos atacantes no Brasil. Os cinco vetores de ataque mais frequentes registraram, respectivamente: TCP ACK (138.626), DNS Amplification (61.575), TCP SYN (37.481), DNS (20.736) e TCP SYN/ACK Amplification (18.044 ocorrências). Dentre os 24 vetores combinados nesses ataques complexos, destacam-se métodos como DNS Amplification, TCP ACK, TCP RST, TCP SYN e UDP.

O mais recente relatório global da NETSCOUT sobre ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) mostra a expansão do risco operacional para organizações e provedores de serviços. Por meio do sistema NETSCOUT ATLAS, a empresa registrou mais de 9,1 milhões de ataques em 209 países e territórios.

Um dos principais destaques do levantamento é o aumento do impacto dos ataques de alta capacidade. Os ataques superiores a 1 Tbps ou 1 Gpps cresceram 1.286% em relação ao ano anterior, o que sinaliza que as equipes de defesa precisam continuar se preparando para uma intensidade cada vez maior de ofensivas.

O relatório também registra um marco no uso do protocolo IPv6. A NETSCOUT identificou seu primeiro ataque IPv6 acima de 1 Tbps. Embora a proporção do IPv6 no total de ataques tenha se mantido estável, a mitigação ativa dessas ameaças aumentou mais de 300% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que demonstra a importância de manter uma proteção sólida também para esse protocolo.

As operadoras de telecomunicações enfrentam pressão crescente nas atividades de mitigação. Os métodos de caminho direto (direct-path) representaram 64% dos ataques observados e ganharam destaque pelo terceiro semestre consecutivo. O carpet-bombing (bombardeio massivo) cresceu de 3,97% para 4,54% dos ataques, e os ataques de saída (outbound) que ultrapassaram 1 Tbps ou 1 Gpps causaram impactos operacionais. Segundo o relatório, a capacidade de mitigação dedicada continua sendo a camada seletiva de que os provedores necessitam para filtrar de forma inteligente o tráfego malicioso.

Outro ponto de atenção é a economia dos ataques. Aqueles com duração de um minuto ou menos quase dobraram sua participação desde o segundo semestre de 2023, sobrecarregando tabelas de conexões, backends de aplicações e resolvedores DNS. O dado indica que as plataformas de DDoS de aluguel (DDoS-for-hire) estão encurtando o caminho para a realização dos ataques.

O estudo trata ainda da cadeia de suprimentos de proxies residenciais. Ao combinar a inteligência de redes de proxies residenciais com a telemetria de ataques DDoS, o NETSCOUT ASERT mapeou origens de proxies residenciais ativas em ataques. O resultado evidencia que o tráfego malicioso pode partir de IPs de consumidores finais, o que dificulta sua identificação.

“Tanto os provedores como as organizações necessitam de mitigação seletiva e mais precisa, bem como de maior capacidade de filtragem (scrubbing) nas extremidades da rede para combater estas mudanças qualitativas na sofisticação dos ataques”Hardik Modi, Vice-Presidente de Engenharia

Sites foram retirados do ar

Recentemente, agências governamentais e empresas em diferentes países tiraram sites do ar nesta quarta-feira (21) após a descoberta de duas falhas críticas relacionadas ao PHP, linguagem de programação utilizada em grande parte dos sites da internet. A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) pediu que as organizações corrigissem as falhas imediatamente ou desligassem os sistemas vulneráveis.As falhas “frequentemente proporcionam um caminho direto para o sistema de arquivos ou para o banco de dados do servidor”, afirmou a NSA em um comunicado no X.

O PHP é usado em plataformas populares de criação de sites, o que significa que as falhas podem afetar uma grande variedade de páginas na internet, de lojas online e veículos de notícias a serviços governamentais.

A descoberta ocorreu em meio ao auge de divulgações sobre segurança de software impulsionado por modelos de inteligência artificial (IA) cada vez mais poderosos.

Mantida a tendência atual, o número de vulnerabilidades detectadas em 2026 pode dobrar o recorde alcançado no ano passado.

As falhas foram reportadas em agosto pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI, criadora do ChatGPT, que as identificou de forma independente no mesmo dia. Posteriormente, a Wiz, empresa de segurança na nuvem pertencente ao Google, informou ter encontrado outras maneiras de explorar as vulnerabilidades.