Mulheres comandam a maioria das casas no Amazonas, aponta IBGE
De um total de 1,2 milhão de domicílios, em 2023, 658 mil eram chefiados por mulheres e 569 mil por homens
A maioria dos lares amazonenses são chefiados por mulheres, revelou a nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O dado divulgado na sexta-feira (20) ganha ainda mais importância em um estado que, apesar de ter maioria de mulheres (50,1%), ainda sofre com baixa representatividade feminina na política e a desigualdade de salários entre homens e mulheres.
Segundo a PNAD Contínua, o Amazonas possuía 1,2 milhão de domicílios, em 2023. Deste total, 658 mil eram comandados por mulheres, contra 569 mil por homens.
O dado representa, em partes, o cenário nacional. Conforme a mesma pesquisa, o Brasil possui 77,6 milhões de lares. Deste total, 40,1 milhões são chefiados por mulheres. Já os homens são responsáveis por 37,4 milhões das residências.
O responsável pelo domicílio é definido pelo IBGE como a pessoa de 12 anos ou mais que é reconhecida como tal pelos demais moradores da residência.
Fatores
Pesquisadora sobre gênero, política e poder, a doutora em ciências sociais Iraildes Caldas atribui os novos dados do IBGE a pelo menos dois fatores.
“São as mulheres que mais se dispõem a enfrentar qualquer situação para manter a sobrevivência da sua família. Elas não têm vergonha de montar uma banca de churrasco, de fazer guloseimas para vender. Saem à procura de rabalho doméstico, fazem pano de prato para vender. Vão a canteiros de obra para procurar trabalhos de arremate. No geral, estão mais propensas a qualquer trabalho do que os homens”, afirmou Iraildes Caldas.
Outro ponto levantado pela pesquisadora é o maior grau de instrução das mulheres em relação aos homens.
“O Brasil tem mais mulheres com curso superior do que homens. Ademais, elas avançaram no campo de trabalho nos últimos tempos, quebrando barreiras, inclusive no acesso a postos de trabalho ditos masculinos”, comenta a especialista.
Esse avanço nos postos de trabalho é motivado, também, pela força dos movimentos feministas, avalia Iraildes Caldas. “Essa questão é defendida pela Organização das Nações Unidas, que chegou a inserir nos seus Objetivos do Desenvolvimento Sustentável a questão de gênero”, diz.
Presença
As mulheres são mais da metade dos lares amazonenses, ainda que elas não sejam a maioria em números absolutos. Conforme o IBGE, existem mais homens (2,1 milhões) nas residências amazonenses do que mulheres (2 milhões).
Na capital Manaus, o cenário é similar. Dos 2,3 milhões de residentes em domicílios, 1.167 milhão é de homens e 1.160 de mulheres.
Contraste
No estado que é mais chefiado por mulheres, a representação política feminina ainda é muito abaixo do ideal. Dos 24 deputados estaduais, apenas cinco são mulheres: Alessandra Campêlo (Podemos); Joana Darc (União); Débora Menezes (PL); Dra. Mayara (Republicanos); e Mayra Dias (Avante).
Já no governo do Amazonas, 15 secretarias são chefiadas por homens. Um número duas vezes menor que esse, 7, é de secretarias comandadas por mulheres.
Na próxima legislatura da Câmara Municipal de Manaus, dos 41 vereadores, apenas três são mulheres, número que contrasta completamente com a população do estado, composta por mais da metade de mulheres. As vereadoras eleitas para 2025-2028 são: Thaysa Lippy (PRD), professora Jacqueline (União) e Yomara Lins (Podemos).
Prioridade
A PNAD Contínua, referente a características dos domicílios e moradores, também investigou a prioridade na posse de bens, nós domicílios do Amazonas. A geladeira (92,7%) apareceu com o maior percentual entre os bens prioritários em domicílios do estado.
Em Manaus o eletrodoméstico (98,5%) superou o quantitativo nos domicílios do estado. A máquina de lavar (65,5%) foi identificada como a segunda prioridade nas residências amazonenses.
Na capital ela estava em 81,5% dos domicílios. O carro (25%) ficou na terceira posição entre as prioridades na aquisição de bens no Amazonas.
Em Manaus os carros estavam, em 2023, em 35,2% dos domicílios. As motocicletas, por sua vez, tinham 17,7% de prioridade nos lares amazonenses.