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A Crítica
Economia

Mulheres são maioria no quadro de funcionários da Whirlpool

Segundo os indicadores do PIM em agosto de 2023, em cinco anos teve um aumento de 28% da presença feminina na Zona Franca de Manaus

Publicado em 13/11/2023 às 10h41
Mulheres são maioria no quadro de funcionários da Whirlpool
Foto: Márcio Silva/ACrítica

Em janeiro de 2018, a média de mulheres que trabalhavam nas indústrias da Zona Franca de Manaus era de 22,9 mil trabalhadoras. Em agosto de 2023, este número saltou para 29,4 mil industriárias, um aumento de 28% em cinco anos. Os dados constam nos Indicadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) publicados este mês pela Suframa.

A administradora Vanessa de Souza Pinto, 32, é controladora de processos da engenharia industrial da Whirlpool, uma das multinacionais que colaborou para o aumento do número de admissões de mulheres na indústria nestes últimos anos no PIM.

Hoje, na planta de Manaus, as mulheres compõem 53% no quadro de funcionários, o que torna a fábrica referência em programas de incentivo para contratações femininas no Brasil. Nos cargos de gerência, elas representam 40%.

Vanessa começou na fábrica como operadora 1, há nove anos, tendo passado pelo programa chamado por eles de “Carreira Horista”, um plano de carreira estruturado para operadores de produção.

O objetivo é que o funcionário saiba quais competências e habilidades precisa desenvolver para subir os degraus que desejarem na carreira. Isto é feito por meio de treinamento, estabelecimento de critérios, avaliações de desempenho e recrutamentos internos.


Com o tempo, fomos provando que somos capaze, disse Vanessa de Souza Pinto, 32 anos. (Foto: Márcio Silva/ACrítica)

“Comecei no processo de forno de microondas. Depois fui soldadora, controladora… fui subindo as escadinhas e percorri todas as áreas de operação”, relembra a industriária, que dividiu as horas de trabalho para fazer faculdade de administração e, assim, alcançar novos cargos na fábrica.

“No passado, principalmente, tínhamos um cenário mais composto por homens no Distrito. As mulheres tinham medo, não sabiam como funcionava um chão de fábrica, achavam que o trabalho era predominantemente masculino – e era. Mas com o tempo, fomos provando que somos capazes de fazer o mesmo, muitas vezes com muito mais habilidade e cuidado. Ter vindo trabalhar em uma empresa que tem visão e respeito pela inclusão e diversidade ajuda muito neste processo. E a gente percebe que isso, aqui dentro, não é só uma filosofia, é uma realidade”, ressalta Vanessa.

Hoje, ao entrar na fábrica, é possível ver uma operação repleta de mulheres. “Tudo que os homens se propõem a fazer, nós conseguimos na mesma performance. Eu acredito que nós, mulheres, precisamos quebrar paradigmas internos, precisamos conhecer, nos envolver, participar e ver as coisas mudarem. E nós temos notado isso, pois hoje já existem muitas empresas com esse compromisso de diversidade, inclusão e respeito”, frisa.

Reformulação

Para alcançar este número positivo de paridade, a Whirlpool passou por um processo de reformulação total, conforme explica o gerente de manufatura em Manaus, Juliano Lima.

“Em 2018 nós tínhamos apenas 33% de mulheres trabalhando em nossa planta. Fizemos um trabalho de base e mergulhamos a fundo no processo de crescimento e amadurecimento para sermos referência dentro do grupo. Éramos o “patinho feio” com números muito inferiores à média nacional. E hoje, ultrapassamos isso, num trabalho feito em cinco anos”.

Juliano lembra que a operação tinha o desafio de acolher mulheres nas linhas, um paradigma que foi quebrado a partir de mudanças de pensamento, mas também, estruturais.


Gerente de manufatura da Whirlpool em Manaus, Juliano Lima, foi peça fundamental para aumento do efetivo feminino na fábrica (Foto: Márcio Silva/ACrítca)

“Tivemos que repensar nossa planta de modo que pudéssemos de fato ser referência em igualdade. Mudamos a série de manuseio de cargas pesadas, anulando peso de componentes e fazendo o abastecimento de forma automatizada. Deixamos os postos de uma forma com que as pessoas consigam trabalhar sentadas, para desta forma, alocar mulheres grávidas”, disse Juliano. 

“Implantamos salas de lactação, para que essa trabalhadora tenha um ambiente confortável para o momento que é o de retorno ao trabalho após a licença maternidade. Temos parcerias com creches, acompanhamento e grupos de apoio para quando nossas funcionárias ficam grávidas. Tudo para que elas possam se sentir confortáveis e acolhidas”, complementou.

Programa de valorização

Evelyn Veronese é vice-presidente da Cadeia de Abastecimento Integrada para a América Latina da Whirlpool e em 21 anos trabalhando na empresa, já passou por vários cargos, desde vendas, marketing e finanças.

“Ser mulher, mãe, não é fácil pelo nosso papel fundamental que exercemos dentro de casa. Entendemos que muitas mulheres não se encorajam a entrar no mercado de trabalho por esse medo, por isso nós da Whirlpool buscamos cada vez mais ferramentas para que essas mulheres não somente sejam contratadas, mas que permaneçam e possam ascender dentro da companhia”, disse.

A executiva falou da importância do Instituto Consulado da Mulher, que incentiva e viabiliza geração de renda para melhorar a qualidade de vida das pessoas, investindo no empreendedorismo feminino.

“São ações que desenvolvemos há 20 anos, que é de devolver e muitas vezes estimular o empoderamento feminino. Fazemos uma ação social que já ajudou mais de 38 mil pessoas”, explica.


Evelyn Veronese ocupa cargo de vice-presidente na multinacional (Foto: Divulgação/Whirlpool)

O programa oferece formação para as mulheres, que na maioria das vezes se tornam empreendedoras. “Ela se transforma e consegue transformar a vida de todos ao seu redor, inclusive, empoderando e empregando outras mulheres. É muito gratificante fazer parte disso”, finalizou.