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A Crítica
Economia

Pirarucu manejado é destaque em festival

Pirarucu manejado de forma sustentável protagoniza festival gastronômico

Publicado em 28/09/2025 às 12h30
Pirarucu manejado é destaque em festival
Foto: Divulgação

Símbolo de uma Amazônia que alia conservação da biodiversidade, segurança alimentar e geração de renda, o pirarucu manejado pelas comunidades do Médio Juruá (AM) ganha protagonismo no Festival Gosto da Amazônia, que celebra a sociobiodiversidade por meio da culinária. O evento reúne restaurantes parceiros para apresentar pratos exclusivos com o peixe amazônico, promovendo práticas sustentáveis, comércio justo e valorização dos modos de vida tradicionais.

Em curso até o dia 5 de outubro, em Belém – às vésperas da COP30 – o festival destaca o modelo de manejo comunitário desenvolvido no estado do Amazonas, especialmente em territórios como Carauari, onde ribeirinhos e indígenas organizados em associações, como a ASPROC – Associação dos Produtores Rurais de Carauari, realizam a pesca controlada do pirarucu com base em regras de proteção dos lagos, respeito ao ciclo reprodutivo e monitoramento participativo. O resultado é um exemplo bem-sucedido de economia da floresta em pé, com impacto ambiental positivo e fortalecimento das populações locais.

“Ver o pirarucu manejado pelas nossas comunidades chegar aos cardápios de grandes restaurantes é uma vitória. É o reconhecimento de um trabalho coletivo, feito com seriedade, responsabilidade ambiental e muito conhecimento tradicional. É o peixe da nossa região levando a história do povo do Médio Juruá para o Brasil”, afirma Ana Alice Britto, coordenadora comercial da ASPROC.

A ASPROC atua há mais de 20 anos fortalecendo o protagonismo comunitário na gestão dos recursos naturais. No caso do pirarucu, os resultados são expressivos: em áreas monitoradas, a população do peixe aumentou mais de 600% na última década. O modelo de manejo envolve contagem dos peixes pelos próprios moradores, delimitação de áreas protegidas e pesca apenas durante a estação seca, com cotas aprovadas pelo Ibama e controle rigoroso para garantir a sustentabilidade.

“O manejo do pirarucu é mais do que uma técnica: é uma estratégia de vida. Garante alimento saudável, renda para as famílias e a conservação dos lagos, das matas e da cultura de quem vive aqui”, reforça Ana Alice.

O Festival Gosto da Amazônia, ao incorporar o peixe manejado do Amazonas em criações gastronômicas sofisticadas, amplia o diálogo entre floresta e cidade. É também uma ferramenta poderosa de educação ambiental e valorização de territórios invisibilizados, que agora ganham espaço nos holofotes da gastronomia nacional.

Sobre o manejo comunitário do pirarucu

O manejo sustentável do pirarucu é uma estratégia de conservação e desenvolvimento local, iniciada em 1999 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM), e hoje replicada em diversos territórios do estado, como Médio Juruá, Baixo Purus, Solimões, Uatumã e outros. Ele combina conhecimento tradicional, monitoramento ambiental e governança comunitária para garantir o equilíbrio ecológico e a viabilidade econômica da atividade.

O modelo segue três regras principais:

Respeito ao ciclo reprodutivo: a pesca ocorre apenas durante a estação seca (setembro a novembro), fora do período de desova;

Tamanho mínimo de captura: só são pescados peixes com mais de 1,5 metro de comprimento;

Quota controlada: o Ibama autoriza a retirada de até 30% da população adulta de cada lago, com base em contagens feitas pelas próprias comunidades.

Essa experiência transformou o pirarucu — que já figurava na lista da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas de Extinção) — em uma espécie recuperada nas várzeas amazônicas. Mais do que conservar, o manejo gera renda, soberania alimentar, autonomia e dignidade para os povos da floresta.

Sexta edição do festival

Realizada pela Abrasel Amazonas, a Feira Internacional de Gastronomia Amazônica (FIGA) chega à sua sexta edição com o tema “O grande mercado Amazônia”. De 3 a 5 de outubro, o evento reunirá chefs renomados, empreendedores e especialistas do Brasil e do mundo em uma programação que inclui estandes, aulas-show, experiências sensoriais e palestras.

Entre os destaques confirmados estão a chef boliviana Marsia Taha (restaurante Arami, La Paz), o consultor espanhol da UNESCO Jordi Tresseras, os chefs Raul Lemos (MasterChef Brasil), Ariani Malouf (Pantanal), Selma Reis (Amazonas) e Hiroya Takano, pioneiro da culinária japonesa na região.

A edição também marca a estreia da Conferência Empresarial Abrasel Amazonas, espaço dedicado à inovação e à geração de negócios no setor de alimentação fora do lar.