Manaus seg, 2 nov
A Crítica
Economia

Programas sociais já compõem 8,5% da renda domiciliar de famílias no AM

Transferências públicas dobram de relevância no Amazonas e programas sociais já compõem 8,5% da renda domiciliar

Publicado em 08/05/2026 às 17h06
Programas sociais já compõem 8,5% da renda domiciliar de famílias no AM
Foto: Divulgação

Em 2025, o Amazonas registrou um avanço expressivo na base de cidadãos com algum rendimento, alcançando 57,4% da população (2,3 milhões de pessoas) , impulsionado pelo crescimento do trabalho como fonte regular e pelo salto na participação de programas sociais, que dobrou sua fatia na composição da renda domiciliar desde 2012. Por outro lado, o cenário econômico revela desafios estruturais: o rendimento médio mensal real de R$ 2.527 ainda não recuperou o patamar de 2012 (R$ 2.687) e, pela primeira vez na série histórica, o estado ficou ligeiramente abaixo da média da Região Norte. No ranking nacional de rendimento per capita, o Amazonas ocupa uma posição desfavorável, situando-se em 23º lugar com apenas R$ 1.450, valor significativamente inferior à média brasileira de R$ 2.264. Os dados são da PNAD Contínua – Todos os Rendimentos, divulgada hoje (08.05) pelo IBGE.

Tipos de rendimentos da população com rendimento

Em 2012, o Amazonas tinha 1.696 mil pessoas com algum rendimento (“todas as fontes”), o que correspondia a 48,0% da população residente; em 2025, esse contingente sobe para 2.384 mil, atingindo 57,4%. Ou seja, há um aumento expressivo tanto em volume absoluto quanto em participação na população, ou seja, mais pessoas com rendimento e maior “cobertura” do rendimento na população total.

O rendimento habitual do trabalho passa de 1.279 mil pessoas em 2012 (36,2%) para 1.719 mil em 2025 (41,4%). O dado sugere ampliação do contingente que declara rendimentos habituais do trabalho e crescimento da proporção desse grupo na população residente, reforçando a relevância do trabalho como fonte regular de renda.

Já o rendimento efetivamente recebido (na referência captada pela pesquisa) cresce de 1.253 mil em 2012 (35,5%) para 1.664 mil em 2025 (40,0%). Em termos de leitura, tanto a base absoluta quanto o percentual aumentam, indicando que mais pessoas não apenas têm rendimentos do trabalho como também os receberam efetivamente conforme a definição utilizada na PNAD Contínua.

A categoria agregada de outras fontes aumenta de 590 mil pessoas em 2012 (16,7%) para 944 mil em 2025 (22,7%). Isso aponta crescimento relevante (em volume e participação) de rendimentos que não são do trabalho, com maior peso relativo dessas fontes na população residente.

Em 2012, 201 mil pessoas tinham rendimento de aposentadoria e pensão (5,7%); em 2025, o número vai a 306 mil (7,4%). Há expansão tanto em termos absolutos quanto no percentual, sugerindo aumento do contingente com rendas previdenciárias e maior participação desse tipo de renda no conjunto populacional.

Para aluguel e arrendamento, o número absoluto aparece em 28 mil pessoas em 2012 e permanece em 28 mil em 2025, enquanto o percentual vai de 0,8% para 0,7%. Na prática, a estabilidade em volume com leve queda percentual indica que, apesar de o contingente estimado não variar, sua participação relativa diminui discretamente quando comparada ao total da população residente.

Pensão alimentícia, doação e mesada de não morador. Esse tipo de rendimento fica praticamente estável: 52 mil pessoas em 2012 (1,5%) e 53 mil em 2025 (1,3%). O número absoluto sobe marginalmente, mas o percentual recua, o que é compatível com uma população total maior e/ou crescimento mais forte de outras fontes no período, reduzindo o peso relativo dessa categoria.

Em programas sociais do governo, há um aumento bem marcado: de 305 mil pessoas em 2012 (8,6%) para 570 mil em 2025 (13,7%). Isso mostra crescimento simultâneo em volume e participação na população residente, indicando maior alcance relativo desse tipo de rendimento na fotografia de 2025 comparada à de 2012. 

Outros rendimentos. Por fim, outros rendimentos caem em termos absolutos e percentuais: de 48 mil pessoas em 2012 (1,4%) para 39 mil em 2025 (0,9%). Aqui a direção é de redução tanto do contingente estimado quanto da relevância relativa na população residente, sugerindo perda de peso desse agrupamento residual frente às demais categorias listadas.