David Assayag será homenageado em documentário
Previsto para estrear no segundo semestre, o documentário ‘David Assayag: A voz da Amazônia’ narrará a história de vida do artista dentro e fora do Bumbódromo
Muito se sabe sobre a contribuição de David Assayag para com um dos maiores festivais folclóricos do mundo: o Festival de Parintins. Mas, ainda pouco se conhece sobre a vida desse artista parintinense fora da Arena do Bumbódromo. Foi pensando em compartilhar com o público um pouco mais do grandioso universo desse ícone, dono de uma das mais potentes vozes da Amazônia, que surgiu a ideia de produzir o material audiovisual intitulado “David Assayag: A voz da Amazônia”, um documentário de longa-metragem de aproximadamente 1 hora e 30 minutos, com previsão de estreia para o segundo semestre de 2022.
O documentário irá abordar desde a infância de David na cidade de Parintins, até o trágico acidente que culminou com a perda de sua visão aos 15 anos de idade, na cidade de Castanhais, no Pará. A produção retratará, ainda, o seu primeiro contato com a música aos 8 anos, quando sua mãe participava do coral e o levava para a igreja aos domingos. Além das curiosidades de bastidores, como as troca de bois, casamentos e outros.
“Se de um lado, temos uma grande capacidade de contar histórias e estórias, de outro temos pessoas incríveis com trajetórias que precisam ser mostradas além do que se sabe, e o David Assayag é essa figura, que possui uma voz potente e poderosa e que é cego, não de nascença, mas de um fato que mudou toda a sua vida e que o fez perder a visão gradativamente até chegar ao ponto de cegueira total; e é esse artista que comanda um dos principais festivais folclóricos do mundo”, destaca o diretor do projeto, Zeudi Souza, que complementa a fala com um questionamento:
“Mas a pergunta é: será se nós realmente conhecemos a vida de David Assayag além da arena do Bumbódromo, seus dramas, seus sonhos e sua esperança em um dia voltar a enxergar?”, indaga ele. Os fãs e admiradores do artista encontrarão as respostas no documentário.
Produção
O projeto foi idealizado pela empresária e amiga de longa data do artista, Lílian Daniel. Ela trabalhou com David nos anos de 1998 e 1999, e em 2000 o conduziu na Arena.
“No ano de 2001, tive que largar a profissão de bailarina para assumir minha vaga na Universidade Federal do Amazonas – Ufam, no curso de Educação Física. Então, eu vivi muita coisa com o David nesses anos todos e percebi que não tinha acervo. Eu idealizei a primeira exposição e agora estou executando a ideia do documentário”, destaca ela.
Para a produção do documentário, Lílian conta com a direção artística de João Fernandez, que foi quem apresentou o cineasta Zeudi para ela. Os três lideram o projeto.
“O João me apresentou o Zeudi – eu já tinha escutado alguns produtores antes – daí a gente marcou uma reunião com o David. Senti que ele [Zeudi] tinha muita propriedade nas coisas que falava; assisti o filme dele que é premiado – ‘O buraco’ e demos o pontapé inicial. [O projeto] é uma homenagem ao David em vida, uma lembrança que eu quero deixar para o povo amazonense, para que as gerações nunca se esqueçam desse ícone que nós temos, que carrega a toada e o boi-bumbá desde 1993”, acrescenta Lílian.
Legado
A produção poderá, ainda, se encaminhar para um longa de ficção, uma vez que existem muitos fatos curiosos da vida de David. Mas, por enquanto, a ideia é que seja um documentário sobre o grande legado do artista e daquelas pessoas que estiveram com ele desde o início. O projeto surge como uma necessidade de salvaguarda de memória, visto que, recentemente, o Amazonas perdeu grandes nomes da nossa cultura popular, e com eles um enorme acervo vivo.
“David é um ícone vivo, que ainda temos a possibilidade de conhecer um pouco mais do seu universo, e sabemos que com a pandemia tivemos grandes perdas. Durante esses últimos cinco anos igualmente, a cultura do Amazonas teve perdas irreparáveis, como as de Zezinho Corrêa, Arlindo Jr., Paulinho Faria, Emerson Maia e tantos outros que corroboraram para que o Festival de Parintins se tornasse essa potência que é hoje”, declara Zeudi.
Fase inicial
O projeto está na fase inicial, que é a de captação de recursos da obra. Enquanto isso, os produtores buscam ouvir, pesquisar, avaliar e sobretudo buscar um olhar mais humanizado do artista.
“Um produtor nos procurou para fazer esse documentário e para mim foi uma surpresa grande. Eu realmente tenho uma história bem extensa no mundo da música, que começou no início de 1980, muito jovem; eu só tinha 14 anos. Eu já comecei a dar as entrevistas, contando como essa trajetória toda aconteceu e a gente tem muito material pra fazer o documentário”, completa Assayag.
Sobre o artista
David nasceu na cidade de Parintins em 1969. O artista multifacetado, uma das figuras mais importantes para a cultura do Amazonas, possui mais de 30 anos de carreira dentro das agremiações dos bois Garantido e Caprichoso.