Obras de escritoras amazonenses buscam tornar a literatura mais acessível
Livros são adaptados na versão em braille e no formato áudio (livro falado)
A acessibilidade e a inclusão estão presentes na literatura por meio de livros adaptados para a versão em braille ou audiodescrição. Ao pensar nos desafios das pessoas com deficiência visual, escritoras amazonenses buscam tornar a literatura e a cultura mais acessíveis, para que conteúdos literários cheguem até essas pessoas.
A obra “Devaneio: Amores vividos, histórias inventadas” da socióloga, jornalista e escritora Rebeca Beatriz fala sobre amor e relacionamento. E em breve ganhará versão em braille. A adaptação para a linguagem tátil do livro deve incentivar o acesso à literatura para pessoas com deficiência visual no Estado.
“O meu principal intuito em fazer a adaptação do livro para a versão braille é mostrar que o amor e questões relacionadas a ele, questões de sentimentos, questões de corações partidos, dilemas da vida adulta, dilemas em sentir, todas essas questões independem da sua condição física, da sua condição social, financeira. Essas questões não escolhem, elas simplesmente acontecem. O amor é para todos, então é um conteúdo que precisa chegar a outros públicos, inclusive no público das pessoas com deficiência visual. O intuito é fazer com que o livro chegue até essas pessoas por meio do braille, proporcionando mais inclusão”, destaca Rebeca.
Para a escritora, realizar esse projeto é deixar uma contribuição para a sociedade. Ela define como algo gratificante e de muito aprendizado. “Me aprofundei nas questões de acessibilidade e inclusão, também estou aprendendo braille, para que eu possa me comunicar por meio dessa ferramenta, e para que eu possa entender esse universo. Na minha família há pessoas com deficiência visual e isso me ajudou a olhar para essas questões de forma diferenciada e fazer com que mais pessoas entendam isso e percebam que é fundamental falar de inclusão”.
A obra vai ser lançada no segundo semestre de 2024 e será distribuída em escolas públicas da capital amazonense e do interior do Estado, além de ficar disponível na Biblioteca Braille do Amazonas (terceiro maior acervo do Brasil).
Livro falado
A pedagoga, produtora cultural, escritora e poeta Franciná Lira lançou duas obras no formato de audiodescrição (livro falado). O primeiro foi “A rosa e o Beija-flor” – livro solo de poemas; e o segundo intitulado “As Dez Poetisas – Antologia Formas em Poemas, uma antologia de poemas do grupo de poesias “Formas em Poemas” fundada por ela em 2010.
“Quando eu estudei a disciplina de Educação Especial no curso de pedagogia na UEA, a professora falou sobre o assunto [formato áudio] e disse que a Biblioteca Braille realizava esse trabalho. Vi a oportunidade de colaborar com as pessoas com deficiência através do meu trabalho com poemas. Foi uma forma de me sentir útil a esse grupo de pessoas que são privadas de muitas coisas. Dentre elas o acesso à cultura e a literatura”, recorda Franciná.
Para ela, a questão da acessibilidade na leitura é fundamental, porém ainda limitada. “Poucos órgãos se disponibilizam a promover a acessibilidade. Vários motivos contribuem para isso. Um deles são os equipamentos que são caros. Também tem a disponibilidade das pessoas, dos autores a fazerem isso. As pessoas precisam ter conhecimento que aqui na nossa cidade tem a Biblioteca Braille que transforma os livros em tinta em livros falados e em braille. A equipe é pequena, mas realiza um trabalho maravilhoso”, destaca a poeta.
Os próximos passos de Franciná na literatura envolvem o lançamento de uma nova obra chamada “Era uma vez fora do livro”, que será lançado no dia 28 de março. “É o livro infantojuvenil, colorido e bilíngue, com temática de incentivo a leitura. Gostaria de fazê-lo em áudio também, mas de uma forma mais lúdica, com sonoplastia e tudo mais”, completa.