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‘A gente tem até 2025 para zerar a parte de plástico’

Executiva da multinacional Samsung ressalta, em entrevista, o compromisso da empresa com a sustentabilidade

Publicado em 22/05/2022 às 11h36 · Atualizado em 24/05/2022 às 19h30
‘A gente tem até 2025 para zerar a parte de plástico’
Foto: Divulgação

Tendência no mercado mundial, a sustentabilidade é objetivo atual da gigante tecnológica Samsung. A meta da empresa, a partir da “Galaxy for the Planet”, é chegar até 2025 com descarte zero de resíduos plásticos no meio ambiente. Com um dos maiores parques fabris da Zona Franca de Manaus (ZFM), o compromisso com a Amazônia permanece, de acordo com diretora de Marketing Coorporativo da Samsung, Anna Karina Pinto, entrevistada exclusiva ao A CRÍTICA. 

Além das iniciativas para promover um estilo de vida mais sustentável aos clientes, ela destacou ainda os projetos de promoção da cidadania promovidos pela empresa em todo o Brasil como o “Solve for Tomorrow”, ou “Repostas para o Amanhã”, que está com inscrições abertas e no ano passado teve como destaque alunos do município de Manacapuru, a 98 quilômetros de Manaus.

Abaixo trechos da entrevista:

De qual forma a Samsung atua para acelerar essa transformação ambiental na empresa?

As questões ambientais sempre fizeram parte da pauta da Samsung globalmente, não só na aqui no Brasil. A gente tem diversas iniciativas que sempre visam a promoção da tecnologia e todos os nossos recursos humanos em prol de benefícios de produto, benefícios para as comunidades, afim de que a gente tenha uma sociedade cada vez mais sustentável, cada vez melhor e mais desenvolvida. Temos diversas ações. Quando a gente olha essa parte das questões ambientais, a gente entra naquela plataforma de ESG (em tradução livre: Ambiental, Social e Governança), onde a gente trabalha a questão social de uma forma muito ampla e consistente há mais de dez anos. E temos outras questões, quando a gente fala de logística reversa temos uma atuação super forte. A gente não só promove o descarte dos produtos obsoletos de Samsung, mas de qualquer marca. É um programa muito mais abrangente a gente tem atuação nacional. São vários programas olhando a divisão de celulares Galaxy. A gente já começou a atuar na produção dos nossos novos produtos. Por exemplo, o Galaxy S22 que foi lançado agora o mesmo Tablet S8, que também é novidade, já têm alguns componentes que são feitos através das redes de pescas que seriam descartadas e prejudicariam a vida marinha e a gente conseguiu resgatar, se eu não me engano, 50 toneladas para confecção dos nossos componentes. A gente tem até 2025 um plano para zerar a parte de componentes com plástico e trazer produtos cada vez mais sustentáveis para que a gente diminua o descarte das nossas fábricas promovendo também uma melhora no meio ambiente.  São diversas iniciativas nesse sentido que realmente são consistentes ao longo de muito tempo e que o mercado observa e entende como relevante. Quando a gente traz isso para o âmbito só social, a gente tem o nosso pilar estratégico na Cidadania Corporativa está muito focada nas futuras gerações que podem trazer benefícios e soluções para melhoria da vida da população. 

E quais seriam esses projetos da Samsung aqui no Amazonas? 

Bom, a gente tem uma parceria muito grande, de longa data, com Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Junto com eles temos um programa chamado Samsung Ocean onde promovemos a capacitação de jovens, focando no segmento de engenharia e tecnologia fomentando a criação de startups.  Tem várias iniciativas dentro desse programa onde a gente conta tanto com professores da própria UEA, quanto também de docente da USP e da Unicamp.  Lá tem palestras, cursos de capacitação, workshops e isso é algo que está muito focada na Amazônia Ocidental que pega o Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia. Além desse programa, a gente tem Solve For Tomorrow (Respostas Para o Amanhã) que tem âmbito nacional, mas a gente tem uma participação muito atuante do Norte do país. Esse projeto está na nona edição, a gente começou agora com as inscrições e ele também estimula a criatividade dos jovens que estuda em escola da rede de ensino pública, através do professor orientador, trazendo soluções que realmente vão fazer a diferença para sua comunidade. Então entre outros projetos a gente tem também o próprio Samsung inovation Campus que pretendemos estender.

E como funciona o Samsung Inovation Campus? 

Samsung innovation Campus é um programa que a gente atua com algumas instituições trabalhando cursos de programação. Hoje a gente tem um curso de programação também para focados na parte de Pyton (tipo de linguagem de programação), Inteligência Artificial. Então são alguns módulos que a gente vai começar a inserir também para aqueles alunos que realmente querem se enveredar neste ramo da tecnologia. 


(Divulgação)

Perfil

Nome:  Anna Karina Pinto
Idade:46 anos
Estudos: Formada em jornalismo e com MBA em Marketing pela ESPM
Experiência:  É diretora de marketing corporativo da Samsung Brasil. Tem mais de 20 anos de experiência em marketing estratégico e gestão de comunicação, com passagens em empresas como LG Electronics, Lenovo, Philips, AOC, Linx e Toyota.

 

De qual forma esse estímulo ao estudo da tecnologia pode colaborar também na contratação nas fábricas?

A gente foca muito nas áreas de tecnologia e engenharia. No produto da Cidadania Corporativa quando a gente fala do tema educação, ele está muito pautado no que a gente consegue propor de inovação nestes campos de atuação sempre com a metodologia Steam (pautada por projetos) de Matemática e Engenharia, Ciências da Natureza e sempre focando no estímulo e na capacidade dos jovens para criar, para que nas futuras gerações tenham realmente a capacidade técnica para fazer a diferença no mundo.  Isso com certeza se estende para as novas fábricas, para planos de sustentabilidade que permeia nosso apoio na região do Amazonas e para outras regiões também. A gente acredita que a gente vai conseguir capacitar esse jovem seja para trabalhar na gente ou com outras empresas.

No ano passado, uma escola do interior do Amazonas foi destaque no prêmio Resposta para o Amanhã (Solve For Tomorrow) com a criação de um protótipo para ajudar a reduzir a contaminação da Covid-19 em ambiente escolar. Como funciona esse projeto e como é feita a interiorização?

A gente tem, obviamente, as nossas redes sociais, mas sabemos que tem regiões mais distantes das capitais com dificuldades de ter acesso à internet. Então, temos uma parceria muito forte com um Cenpec, com a Unesco, com a Reeduca e eles têm as redes de acesso aos professores das escolas. Então a gente tem um mailing muito forte de escolas que têm interesse em participar. A gente faz ligações, trabalhamos com WhatsApp, enviamos cartazes, principalmente, para as regiões mais remotas onde a internet realmente não funciona. Ainda temos os influenciadores  e microinfluenciadores regionais que trabalham na disseminação dessa informação.  Nas reuniões onde esses professores participam, a gente também entra para explicar e incentivar a inscrição dos alunos. Mesmo ocorrendo de forma totalmente remota pelo segundo ano consecutivo, a 8ª edição do programa registrou um aumento de 22% na participação de estudantes, 40% na de professores e 52% na de escolas em comparação a 2020.”. Quando a gente olha o programa como todo, que começou em 2014, tivemos mais de 10.000 projetos inscritos, 165.000 alunos participando, 5.000 escolas envolvidas e 23 mil professores.

Quando você olha [os números], em São Paulo sempre tem um volume maior, até por conta do número de escolas, mas a gente tem uma participação muito grande no Norte e Nordeste. No ano passado a gente teve seis premiados e um sétimo projeto que recebeu uma menção honrosa. [Desses] só um estava em São Paulo, o resto nas demais regiões. Então teve Sul, Nordeste, Centro-oeste, Norte e percebemos que há atuação realmente nacional e conseguimos ter essa abrangência, de fato, mesmo nos interiores. O projeto campeão do ano passado, por exemplo, foi do Ceará e quem recebeu foi [a cidade de] Cascavel, que não era nem próximo da capital.

Quais as características de um projeto vencedor? 

Claro, a gente procura inovação, mas não aquela inovação muito pirotécnica, mas sim aquela coisa que a gente às vezes acha: olha o meu projeto tão básico. A gente procura inovação dentro das necessidades mais latentes da população. Primeiro de tudo é ver a necessidade local, qual está sendo a dor daquela população. Teve um projeto que foi para criar um robô para aumentar o alcance das sementes durante o período de plantação, um projeto que ajuda na recuperação pulmonar dos pacientes que tiveram com covid-19. São projetos que quando você olha você pensa: nossa como nunca pensei nisso antes! A gente precisa entender, e é algo que estamos trabalhando muito com influenciadores e nas nossas comunicações, projeto inovador é um projeto que realmente vai fazer diferença para sua comunidade. Todo o projeto é válido. Não pense que a tua ideia é simples demais e não vai ter chance. E o que estamos fazendo para ajudar nessa curadoria? Estamos oferecendo mentoria desde a etapa 1. Você se inscreveu você já vai ter uma primeira mentoria para entender quais são os gatilhos interessantes para fazer o projeto fazer se realmente o projeto vencedor.

Como faz pra participar? 

As inscrições vão até o começo de julho. Temos o nosso site: respostasparaoamanhã.com.br ou pelo aplicativo ‘Solve for Tomorow’ e que está disponível na Play Store. Quem pode inscrever? O professor orientador que esteja realmente lecionando para aquele grupo de alunos. Ele quem inscreve o projeto com 3 a 5 alunos envolvidos e pode ter o suporte de um professor auxiliar que não necessariamente esteja lecionando matérias ligadas as Ciências da Natureza e Matemática, mas ele pode ter alguma conexão com esse grupo e pode auxiliar o professor orientador. É importante que estejam todos na mesma turma, o professor e os alunos, e é super simples de inscrever. É importante que todos olhem o passo a passo para ver se não está faltando nenhuma informação para que a inscrição realmente seja considerada.

O que a Samsung procura na hora de contratar profissionais? As vagas de tecnologia são as que possuem maior déficit?

O que a gente procura muito são pessoas proativas que olhem as comunidades  e entendam o que elas estão precisando, para a gente realmente começar a planejar e produzir internamente. E através desse posicionamento a gente consegue trazer novos produtos e  soluções que, ouvindo o mercado e as necessidades do consumidor, a gente consegue internalizar colocar em formato de produto para devolver para a sociedade. O nosso objetivo é deixar a vida das pessoas cada vez mais fácil mais confortável. A nossa preocupação é sempre oferecer para o consumidor o que ele está precisando de forma de cada vez mais simples para facilitar realmente o dia a dia deles.

Uma das situações que são questionadas por aqui é a grande presença de coreanos na fábrica aqui no Amazonas. Há alguma dificuldade para encontrar profissionais locais para cumprir funções desenvolvidas por eles?

A gente busca cada vez mais incluir diversas regiões dentro dos nossos processos, porque elas são complementares. A gente tem buscado muito fazer essa mescla da Coreia, das pessoas do Sudeste, das pessoas do Amazonas, porque a combinação de talentos é que faz a diferença quando a gente vai oferecer um produto uma solução ou colocar uma campanha no ar. O que a gente pode falar é que quanto mais a gente conseguir estimular esses jovens, as pessoas que estão nas universidades a trabalhar e se envolverem com projetos de tecnologias, buscando sempre olhar o que o mercado está precisando, trazer [os dados], analisar e ver o que pode ser feito de melhor para eles, isso vai fazer diferença na hora da colocação deles na empresa. A gente recebe muitas visitas. Tem coreanos que ficam aqui ficar muito tempo e outros vêm visitar, mas essa troca de experiências é muito rica para que a gente realmente siga nesse caminho de ouvir o que o consumidor ele precisa de fato.

A Samsung tem uma das suas maiores fábricas em uma capital reconhecida pela floresta Amazônica. Mas como uma empresa que trabalha com tecnologia, e consequentemente com a produção de resíduos e retirada de matéria-prima, pode se comprometer com a conservação da Amazônia?

A nossa preocupação até com os projetos, por exemplo, do Galaxy de realmente reduzir o descarte de resíduos. Esse é o exemplo do que vai muito de encontro do que você falou. Temos uma fábrica grande super relevante aí na região e esse projeto de 2025 ele já está realmente números muito bacanas dessa redução. E assim, a gente vai gerar até 2025. Há uma preocupação [com a floresta] quando a gente fala das nossas embalagens que hoje são todas recicladas e recicláveis. Então a gente tem os componentes que a gente já está trocando o plástico e isso com certeza vai impactar a região de vocês.

Essa é a tendência do mercado? Os consumidores querem um caminho mais sustentável? 

A tendência por isso a gente tem aumentado cada vez mais os nossos investimentos nas tecnologias nessas possibilidades. A gente acredita que isso vai fazer a diferença.

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