Amazonas tem desmatamento histórico em fevereiro, aponta Deter
Amazonas ficou em primeiro lugar no número de desmatamento proporcional registrado entre agosto de 2020 e julho de 2021. A alta foi de 55,22%
Dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) divulgados nesta sexta-feira (11) apontam que o Amazonas teve 40 km² de áreas desmatadas em fevereiro, um número recorde desde que o sistema passou a funcionar, em 2016. O tamanho do desflorestamento também é quase o dobro do que foi registrado no mesmo período do ano passado, 26 km².
A forma mais comum de desmatamento no Amazonas, em fevereiro, segundo o Deter, foi o de solo exposto. Este é o caso em que se retira toda a vegetação nativa de uma determinada área, incluindo árvores e arbustos, em alguns casos deixando apenas as raízes. É comum para plantio de pastagem ou para cultivos agrícolas.
Em comparação a outros estados da Amazônia Legal, o estado ficou em terceiro lugar em nível de deflorestação no mês de fevereiro. Com seus 40 km² de áreas desmatadas, ficou através apenas do Mato Grosso (78 km²) e Pará (49 km²). Somando as oito unidades federativas da Amazônia Legal, também houve recorde histórico para esse mês, com um total de 198,67 km².
“Os dois primeiros meses deste ano tiveram áreas recordes da série histórica, no acumulado já são 629 km² mais do que o triplo do que foi observado no ano passado, 206 km² desmatados. Isso tudo em um período no qual o desmatamento costuma ser mais baixo por conta do período chuvoso na região”, disse o porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista, em comunicado enviado à imprensa.
Somente no último dia 2 de março o Inpe informou que houve alertas de desmatamento em uma área que soma 10,71 km² no município de Apuí (AM), somando até agora 24,89 km² de área desflorestada naquele município. O dado foi divulgado por um bot (robô automático) monitorado pelo Sistema de Geração de Linguagem Natural, projetado por alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Universidade de São Paulo (USP).
Amazonas no topo
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão responsável pelo Deter, o Amazonas ficou em primeiro lugar no número de desmatamento proporcional registrado entre agosto de 2020 e julho de 2021. A alta foi de 55,22%, com 2,3 mil km² desflorestados, área maior que bairros manauaras como Adrianópolis (2,4 mil km²) e Nossa Senhora das Graças (2,1 mil km²).