Amazonense ganha o mundo na ‘arte suave’
Um dos maiores nomes do jiu-jitsu mundial, Alexandre Ribeiro saiu de Manaus aos 17 anos
TEXAS, EUA – Foi no ano de 1991 que um dos maiores nomes do jiu-jitsu mundial, o amazonense Alexandre Couceiro Ribeiro, 44, mais conhecido como “Xande Ribeiro”, deu início à sua trajetória no mundo da luta e das competições esportivas. Influenciado pelo irmão, o também lutador Saulo Ribeiro, grande nome no segmento e autor do best-seller Jiu-Jitsu University, o então, na época, “aspirante” a campeão teve suas primeiras aulas na casa-academia dos irmãos Monteiro, localizada naquele ano no conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul de Manaus, sob a tutela dos seus fundadores (Guto, Binho, Yano e Lúcio). O que Alexandre não esperava era que o esporte mudaria completamente seu destino.
E que, de Manaus, após ele ter treinado com referências locais, incluindo ícones do Amazonas e irmãos de treino, como ele define, como William Couto, Márcio Langbeck, Almério Augusto, Marcelo Palmito, Paulo Coelho, Antônio Neto, somente para citar alguns e, claro, sua principal inspiração, o irmão Saulo Ribeiro, ele se mudaria para o Rio de Janeiro em 1999 para estudar Direito, onde continuaria seu treinamento de jiu-jitsu, mas desta vez na academia Gracie, em um ginásio dirigido por Royler Gracie, renomado lutador brasileiro de jiu-jitsu e MMA, filho do criador do jiu-jitsu, Hélio Gracie.
E a partir dali ele ganharia o mundo. “Naquele tempo, o jiu-jitsu para mim era apenas um esporte. E, apesar de eu já possuir títulos nacionais, pan-americanos e medalhas de mundial, foi naquele momento que eu entendi a dimensão técnica e a evolução do jiu-jitsu”, analisa o lutador, ressaltando que o irmão foi uma peça fundamental para todo o processo de crescimento e mudança de país.
“Acredito que Saulo me ensinou muito mais do que técnicas, ele revolucionou a forma como eu vejo a arte marcial, o espírito samurai, os insights corretos para a perfeição, os ajustes e o entendimento de energia e espiritualidade. Além de ter tido o privilégio de acompanhar e aprender com ele no auge de sua carreira”, diz.
Do Rio de Janeiro para os Estados Unidos
Alexandre Ribeiro enxerga seu processo de mudança de país inicialmente como uma experiência que foi se tornando um “chamado”. “Quando me mudei para o Rio, o Saulo já viajava para seminários no mundo inteiro e ele começou a me levar junto. Mas foi então que ele se casou, e a minha família começou a analisar a possibilidade do meu regresso para casa, que naquela época era Brasília. Então, um dos nossos alunos tinha uma academia em Toledo, que fica em Ohio, um estado nos Estados Unidos, e queria um professor, e eu decidi trancar a faculdade de Direito, onde já estava no segundo ano, e fui ter a experiência de aprender inglês e dar aula em outro país”, recorda.
O lutador aproveitou o período, para além do intercâmbio profissional, para começar o processo de criação de sua associação, que passaria a monetizar as academias que usavam o nome e método dos dois irmãos. E então, em 2002, Xande se mudou definitivamente para os EUA, enquanto o irmão Saulo ficou no Brasil. “Nesse tempo, eu ia e voltava, competia e voltava para dar aulas, e nesse momento eu já estava vivendo do jiu-jitsu, e cada vez mais a ideia de faculdade de Direito fugia dos planos. Foi quando Saulo resolveu vir também morar em Toledo, e foi quando as coisas começaram a fluir mais rápido”, conta.
University of Jiu-Jitsu
O empresário-mentor recorda que no começo eles tinham dois espaços para dar aulas. Mas as academias se juntaram, e foi nesse momento que a dupla sentiu a necessidade de criar algo diferente, que fosse mais didático, e decidiram então se mudar para San Diego, na Califórnia, e fundaram a University of Jiu-Jitsu, considerada então como o quartel-general da Ribeiro Jiu-Jitsu.
“Foi onde começamos a desenvolver e solidificar a forma ideal de ministrar aulas e, assim, também prover a educação marcial baseada nos valores da escola de família: respeito, lealdade, atitude, honra e disciplina”, afirma.
O espaço, com a proposta diferenciada de compartilhar conhecimento e fundamentos alinhados com a prática esportiva, chamou atenção pelo novo conceito e ganhou força e notoriedade.
“Até então, as academias de jiu-jitsu eram centros de atividades físicas sem estrutura, e transformamos elas em escolas, com aspectos e diferenciais onde o aluno se sentiria seguro e contaria com uma metodologia que faria sentido, e não somente oferecendo apenas o que o professor estava a fim de ensinar”, explica.
Crescimento do negócio
Em 2020, Alexandre Ribeiro assumiu a frente dos negócios para que o irmão Saulo Ribeiro retornasse ao Brasil para cuidar da família.
“Hoje fizemos um rebranding e a Ribeiro se tornou a Six Blades Jiu-Jitsu, onde a sede fica em Austin, no Texas. Hoje, nosso diferencial não é apenas gestão e processo de liderança, porque percebemos que não é só método que se vive, mas é necessário gerenciamento financeiro e, principalmente, de pessoas, onde o alinhamento de valores não só marciais, mas de negócios”, assinala, destacando a fundação oficial da Ribeiro Jiu-Jitsu Brasil, que se tornou uma das maiores academias de jiu-jitsu do mundo.
O empresário-esportista enfatiza que, entre as dificuldades no período da mudança, as altas temperaturas e a ausência da família estiveram em primeiro lugar.
“Primeiro, foi acostumar com o frio. E, com certeza, a distância da família, pois na época não tinha telefone celular disponível como hoje; era e-mail e com meus pais só telefone. Também houve a adaptação por ficar muito tempo sozinho. Mas sabia, no fundo, que valeria a pena”, afirma.